Opinião

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Assuntos do dia a dia da sociedade, por Rolf Kaestner

Perdendo nossa história



      Brusque sempre falou com orgulho na sua história, ter sido colonizada por três etnias, formada por alemães, italianos e poloneses. Descendentes formam associações e defende-se que as tradições e os costumes dos pioneiros devem ser preservados, mas aos poucos, todos os traços do passado, estão desaparecendo e daqui a pouco não teremos mais nada para mostrar ou orgulhar.

     Na arquitetura restam alguns prédios públicos que imitam um enxaimel falso, porque das antigas e vistosas residências sobrou pouca coisa. A ganância, a falta de cultura e pouca criatividade de alguns endinheirados, pôs tudo abaixo.  Não temos um grupo folclórico, uma banda, nem sequer uma escola voltada para esse tipo de atividades. Resiste o grupo de canto alemão, que recém completou 25 anos e se mantém graças a perseverança de  abnegados.

     Enchemos as calçadas para assistir os desfiles da Fenarreco e reclamamos quando grupos não se apresentam trajados conforme os costumes alemães, mas não sabemos sequer cantarolar uma estrofe das dezenas de músicas que são tocadas durante a festa.

     Você conhece em Brusque uma pessoa que ainda fala polonês? Quantos conhecem a língua italiana? E alemão, será que cabem nos dedos de uma mão o número que falam o idioma com menos de 50 anos de idade? Não estamos caminhando para o fim da nossa história? E é isso que queremos, é esse o legado que deixaremos já para a próxima geração?

     O Colégio Consul Carlos Renaux criou e mantém em seus domínios, um curso de língua alemã, de graça. São dois dias por semana e sabem quantos alunos comparecem às aulas? Menos de meia dúzia. E quem ensina italiano ou polonês?

     A falta de interesse dos jovens e mesmo adultos, mostra quanta desinformação existe por aqui. O alemão pode não ser a língua mais falada ou conhecida, mas traz atrás dela uma das economias mais fortes do mundo e a possibilidade de bons empregos para quem a conhece. Existindo a oportunidade de aprender outro idioma  de graça, precisa existir inteligência por parte dos pais em incentivar as crianças.

     Com conhecimentos, o cidadão olhará interessado para o lado cultural, valorizará os costumes, as tradições e aí sim, quem sabe, um novo arquiteto projetará edificações com traços bonitos que nos diferenciarão de outras cidades; outros tomarão gosto pelo folclore e Brusque voltará ter origens.

      É hora de resignar-nos, de reconhecer erros e ajudar a reconstruir a história brutalmente destruída. Ainda resta tempo, mas não muito, antes que outras culturas tomem conta do que alemães, italianos e poloneses deixaram por aqui.

O perigo dos fogos de artifício



   Brasileiro em qualquer parte é considerado um povo alegre, divertido, gozador e festeiro. E apesar dos pesares, somos mesmo como se diz, de bem com a vida. Tudo são motivos para comemorações e nesse entusiasmo, é preciso fazer algum barulho, por isso seguido ouvimos o estouro de fogos de artifício.

     Nesse mês particularmente, apesar das festas juninas não serem tão grandes como no nordeste, elas acontecem em quase todos os bairros e em muitas escolas. E além de quitutes, próprias da época, não podem faltar os tais folguedos.

     Acontece que junto ao entusiasmo, somos pouco precavidos. Costumamos não observar a origem de produtos e ignorar as instruções de funcionamento. Serviços de emergência dos hospitais indicam que cresce 30% ao ano o número de acidentes com fogos de artifícios no Brasil. E na grande maioria, são lesões graves e deixam sequelas que às vezes levam a morte.

     A falta de conhecimento, de segurança e o uso de artifícios clandestinos são os principais motivos de ocorrências e as vítimas são geralmente jovens ou alcoolizados.

     Mas tem coisa mais desagradável do que o barulho de foguetes? Em nossa região é um abuso. Todo cidadão tem  direito de expressar sua alegria, suas conquistas, ou seja lá o que for. Mas isso não significa que os vizinhos, precisem compartilhar. Tem gente que não respeita nada e inclusive à noite, depois do horário do silêncio explodem dúzias de fogos. E que se explodam os vizinhos, não é assim? Não, não é assim não.

     Fogos de artifício sempre foram extremamente perigosos, porque detonam pólvora, um dos produtos mais incendiários do mundo. Em muitos países, como na Austrália, Japão, Reino Unido até no Chile, é proibido fabricar e manuseá-los. Mas aqui a lei é tão frouxa e temos pessoas tão irresponsáveis, que até em ambientes fechados chegam ser utilizados. O maior exemplo, foi o incêndio numa casa noturna em Santa Maria no Rio Grande do Sul, onde morreram cerca de 250 pessoas.

     E o que mudou? A fiscalização por parte das autoridades, que passaram exigir mais segurança nos lugares, mas o uso de fogos de artifício, continuam  permitidos.

     O Chile, considerado por muitos como um país nanico na América do Sul, possui uma das legislações mais rígidas em segurança. Lá, bem antes do Brasil foi adotada a tolerância zero para motoristas alcoolizados e não se ouve um único foguete, aconteça o que acontecer.

     Entretanto é no Chile, na cidade de Valparaíso a beira do oceano Pacífico, que acontece uma das maiores queimas de fogos do mundo durante o réveillon. São quase trinta minutos de um espetáculo maravilhoso. Mas os responsáveis pelo show são empresas contratadas através de pregão internacional, e cercado de absoluta cautela.

     Está na hora de acabar com essa bagunça e com essa irresponsabilidade, que é soltar foguetes a qualquer hora e por qualquer motivo. Não precisamos ser tão rígidos como no Chile, mas, por favor, restrinjam o uso e principalmente a venda desses materiais sem graça  que causam tantos traumas. E a educação começa em casa.



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