ACIBr, Sifitec e Sindivest se posicionam contrários ao antidumping de fios texturizados de poliéster

Em março do ano passado, uma Circular emitida pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério da Economia, foi publicada no Diário Oficial da União e deu início a uma investigação sobre a possibilidade de dumping em importações de fios texturizados de poliéster. Agora, prestes a ser emitida a deliberação final da matéria, um grupo de empresários que integram a Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr) e os Sindicatos Patronais das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Vestuário (Sifitec e Sindivest), se organizam para barrar a medida, que pode comprometer 1,4 milhões de postos de trabalho e gerar a desindustrialização destes setores no Brasil.

“O dumping acontece quando produtos estrangeiros são inseridos no mercado com um preço abaixo da produção nacional, devido a incentivos de seus países de origem. Desta forma, o Governo Federal, através do Ministério da Economia, intervém na importação e aplica tributos, como forma de proteger a indústria nacional”, explica a presidente da ACIBr, Rita Cassia Conti.

Ela, no entanto, chama a atenção para a necessidade de se contextualizar e de compreender mais profundamente o que ocorre nos casos da importação dos fios texturizados de poliéster. “Temos apenas quatro indústrias nacionais, com cerca de 200 colaboradores, que não são capazes de atender nem 25% da demanda interna. Em contraponto, a indústria têxtil do Brasil opera com milhões de trabalhadores. O aumento de tributo, aliado à alta do dólar e da inflação, inevitavelmente levará o empresário a refletir sobre seus processos, gerando o risco do desemprego e de desindustrialização”, projeta Rita.

O vice-presidente do Sifitec, Taciano Peterman, também teme a tributação do insumo. “É preciso levar em consideração o impacto em toda a cadeia têxtil. Se, ao invés do fio, o empresário brasileiro julgar ser mais vantajoso importar o tecido pronto, já não será mais necessário o serviço de malharia e tinturaria. Além disso, fios mais caros, lá na ponta, representam roupas mais caras. As confecções locais já sofrem dificuldades de adequação de preços para atender ao consumidor, em meio à perda do poder aquisitivo”, afirma.

Os empresários ainda destacam que os fios texturizados de poliéster são comumente utilizados em peças do vestuário com menor custo agregado, como roupas esportivas e revestimentos de estofados. Desta forma, o aumento do preço deverá ser sentido por boa parte da população ativa, independente da classe social.

Maior importador do Estado

Com a movimentação de 50 contêineres por mês, a indústria Guabifios, com sede em Guabiruba (SC), é a maior importadora de fios texturizados de poliéster de Santa Catarina e a segunda neste ranking no Brasil. O sócio-diretor da empresa, Julio Schumacher, destaca que acompanha este trâmite desde o ano passado e que já esteve mais otimista em relação ao desfecho do processo, diante de um Governo Federal contrário à criação de novos tributos.

“Agora se trata de uma decisão política, enquanto a taxação prevista para ser aplicada no produto permanece como um grande ponto de interrogação. Muitas pesquisas apontam um aumento de até 40%. Estamos falando da base da cadeia têxtil, em um cenário de dólar e de frete alto, onde este acréscimo não faz nenhum sentido. Isso, infelizmente, vai despertar no empresário o interesse de comprar produtos prontos. Estamos diante de um sério risco de desindustrialização de áreas como a malharia, tecelagem e costura”, alerta o empresário.

Um detalhe importante apontado por Schumacher é o fato de que as quatro indústrias nacionais que produzem o fio texturizado de poliéster já possuem isenção de impostos para a importação de sua matéria-prima, o POY. “Se o objetivo é proteger a indústria brasileira, não faz sentido beneficiar apenas quatro empresas, em detrimento a milhares de indústrias e milhões de empregos gerados no país pela cadeia têxtil”, salienta.

Movimento político

Com o apoio da Federação das Indústrias Têxteis do Estado de Santa Catarina (FIESC) e de demais entidades vinculadas ao setor, os empresários já iniciaram uma movimentação política para barrar o antidumping. Ofícios estão sendo enviados aos Deputados Federais, Senadores e Ministros. Também não se descarta uma viagem até Brasília nas próximas semanas, nesta reta final da deliberação da matéria.

A próxima reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), do Ministério da Economia, está prevista para o dia 17 de agosto e será presidida por Paulo Guedes.

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