Pesquisa do DIEESE e Conab aponta impacto do tomate e estima salário mínimo ideal acima de R$ 7 mil
O custo da cesta básica aumentou em 24 capitais brasileiras entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apenas três capitais registraram queda no período.
A ampliação do levantamento foi possível após parceria firmada em 2024 entre DIEESE e Conab, que aumentou a coleta de preços de 17 para 27 capitais, com divulgação dos resultados iniciada em agosto de 2025.
As maiores altas mensais foram registradas em Manaus (4,44%), Palmas (3,37%), Rio de Janeiro (3,22%), Fortaleza (2,52%), Cuiabá (2,47%), Aracaju (2,44%), Vitória (2,15%) e Belo Horizonte (2,02%).
Capitais com cesta mais cara
Em janeiro, São Paulo apresentou o maior custo do conjunto de alimentos básicos, com R$ 854,37, seguida por Rio de Janeiro (R$ 817,60), Cuiabá (R$ 810,82) e Florianópolis (R$ 806,33).
Já os menores valores médios foram registrados em capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente. Os menores custos apareceram em Aracaju (R$ 552,65), Maceió (R$ 592,83), Natal (R$ 595,86) e Recife (R$ 600,09).
Salário mínimo necessário ultrapassa R$ 7 mil
Com base na cesta mais cara do país (São Paulo), o DIEESE estimou que, em janeiro de 2026, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.177,57, o equivalente a 4,43 vezes o salário mínimo reajustado, fixado em R$ 1.621,00.
Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário era de R$ 7.106,83. Já em janeiro de 2025, o valor estimado era de R$ 7.156,15.
Cesta compromete quase metade da renda
Em janeiro de 2026, o tempo médio necessário para adquirir a cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 93 horas e 47 minutos, menor do que em dezembro, quando havia sido de 98 horas e 41 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após desconto previdenciário de 7,5%, o trabalhador comprometeu em média 46,08% da renda para comprar os itens básicos. Em dezembro, o percentual foi de 48,49%.
Tomate dispara e pressiona preços
Entre os principais itens, o destaque negativo foi o tomate, que teve aumento em 26 capitais, com variações expressivas como 63,54% em Cuiabá, 58,20% no Rio de Janeiro e 56,02% em Vitória.
Por outro lado, o leite integral UHT caiu em todas as capitais, assim como o óleo de soja, que teve redução em 25 localidades. O arroz ficou mais barato em 23 capitais.
Situação em Brusque
Em Brusque, o custo da cesta básica em janeiro de 2026 foi de R$ 665,43, com aumento de 0,76% em relação a dezembro de 2025. O município ocupou a 15ª posição entre as cestas mais caras.
Na variação acumulada de 12 meses, Brusque registrou aumento de 2,72%.
Os itens que mais subiram no município foram:
Tomate (21,65%)
Banana (9,23%)
Batata (3,90%)
Feijão (2,98%)
Já os produtos que apresentaram queda incluem arroz, óleo, pão, leite, café, açúcar, farinha, manteiga e carne.
Tempo de trabalho para comprar a cesta
Em janeiro de 2026, o trabalhador brusquense remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 90 horas e 19 minutos para adquirir a cesta básica.
Considerando o salário mínimo líquido, o trabalhador precisou comprometer 44,38% da renda para comprar os alimentos essenciais. Em dezembro de 2025, esse percentual foi de 47,03%.



