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Brusque recebe 3º Simpósio Nacional de Dislexia promovido pela Havan

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A Havan promoveu neste sábado, 14 de março, a terceira edição do Simpósio Nacional de Dislexia, em Brusque. Com o lema “Entender, acolher, avançar”, o evento reuniu especialistas e participantes para discutir diagnóstico, tratamento e os desafios enfrentados por pessoas com dislexia.

O simpósio ocorreu das 8h às 19h, na Sociedade Beneficente, no bairro Primeiro de Maio, e reuniu profissionais da educação, da saúde, familiares e pessoas diagnosticadas com o transtorno. Ao todo, cerca de 700 pessoas acompanharam o evento presencialmente e mais de mil participaram de forma on-line.

A programação teve como objetivo capacitar profissionais e familiares a identificar precocemente os sinais da dislexia, contribuindo para o desenvolvimento escolar das crianças. O evento também abordou as dificuldades enfrentadas por adultos que receberam diagnóstico mais recentemente e buscam compreender como lidar com o transtorno no cotidiano.

Entre os palestrantes estiveram Felipe Ponce, Angela Nico, Maria Inez Ocanã de Luca, Keila Chicralla e Ana Paula Silva.

Identificação precoce é fundamental

A psicopedagoga Ana Paula Silva, especialista em alfabetização e uma das organizadoras do simpósio, explicou à reportagem momentos antes do início do evento que os primeiros sinais da dislexia costumam aparecer por volta dos sete anos, quando começa o processo de alfabetização.

Segundo ela, as dificuldades geralmente surgem no reconhecimento de letras e sons, além de problemas na leitura.

“Os disléxicos precisam ser ensinados a identificar os sons e os grafemas das letras. Quando recebemos o diagnóstico, o primeiro passo é o acolhimento. Cada criança precisa de um método específico”, explica.

A psicopedagoga destaca que, na maioria das vezes, é a escola que percebe os primeiros sinais e orienta a busca por avaliação especializada. Ela também alerta que a dislexia pode ser confundida com outros transtornos, como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou distúrbios do processamento auditivo.

“A criança com dislexia pode apresentar comorbidades, mas é importante entender que ela tem inteligência normal. O que muda é a forma como aprende”, reforça.

“O disléxico aprende de forma diferente”

De acordo com estimativas apresentadas durante o simpósio, cerca de 17% da população mundial convive com a dislexia. Entre eles está o empresário Luciano Hang, proprietário da Havan.

Hang relatou que aprendeu a ler apenas aos 12 anos e afirma que, se tivesse recebido o diagnóstico ainda na infância, poderia ter enfrentado menos dificuldades na escola.

“Se eu soubesse que era disléxico quando fui na escola, não teria passado tantas dificuldades. Há 50 anos não havia diagnóstico e eu não entendia por que era ótimo em matemática e péssimo em português. O disléxico aprende de forma diferente”, afirma.

O empresário explica que a dislexia acompanha a pessoa por toda a vida, mas que o conhecimento sobre o transtorno e o acesso a técnicas específicas ajudam a lidar com as dificuldades do dia a dia.

“Quando eu leio uma página, se não anotar ou ler em voz alta, esqueço imediatamente. Mas existem técnicas para superar isso”, relata.

Hang também defende mudanças em métodos de alfabetização e afirma que, ao superar desafios, pessoas com dislexia acabam desenvolvendo outras habilidades.

“Eu e a Andrea estamos nessa causa desde o começo. Quando as pessoas ultrapassam essas dificuldades, acabam se tornando mais fortes”, acrescenta.

Conscientização para famílias e escolas

A empresária Andrea Hang, que também participou da organização do simpósio, destacou que a falta de diagnóstico pode gerar sofrimento para pais e filhos, além de provocar interpretações equivocadas sobre o desempenho escolar das crianças.

Segundo ela, muitas vezes a dificuldade é confundida com falta de interesse ou preguiça.

“Os pais percebem que a criança é inteligente, sabe as respostas, mas tem notas baixas e dificuldades em sala de aula. Não é preguiça. Com o simpósio, queremos mostrar que um pequeno ajuste no convívio familiar e no ambiente escolar pode fazer uma grande diferença na vida acadêmica e pessoal”, afirma.

Acompanhe em áudio as entrevistas repercutidas no Jornal da Diplomata, deesta segunda-feira, 16 de março de 2026.

A organização destaca que o conteúdo do simpósio ficará disponível para acesso posterior, ampliando o alcance das informações e fortalecendo a conscientização sobre a dislexia no Brasil e entre brasileiros que vivem no exterior.

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