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terça-feira, março 17, 2026
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Mulheres importam: encontro do Sintrivest transforma debate em mobilização coletiva

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Atividade realizada no sábado reuniu associadas para refletir sobre violência contra a mulher, compartilhar informações e fortalecer o compromisso com a proteção e a vida

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Brusque e Região – Sintrivest promoveu na tarde de sábado, 14 de março, um encontro especial em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Com participação expressiva de associadas, a atividade trouxe para o centro do debate uma temática urgente e necessária: a proteção das mulheres por meio da prevenção, da informação e do acolhimento.

Realizado no auditório do sindicato, o encontro teve como tema “Prevenção, informação e acolhimento: caminhos para proteger as mulheres” e foi marcado por momentos de reflexão, escuta e diálogo sobre as diferentes formas de violência e os mecanismos de enfrentamento disponíveis.

A abertura foi conduzida pela presidente do Sintrivest, Marli Leandro, que destacou a importância de o sindicato promover debates sobre assuntos que atravessam diretamente a vida das trabalhadoras. Segundo ela, embora o tema seja duro, ele precisa ser enfrentado com seriedade, informação e compromisso coletivo.

Logo no início da programação, as participantes acompanharam a exibição de um vídeo da Fetiesc sobre as vítimas de feminicídio em Santa Catarina. Forte e reflexivo, o material ajudou a contextualizar a gravidade da violência contra as mulheres e sensibilizou o público para o debate aprofundado na sequência.

A palestra principal foi ministrada pela psicóloga Luciana Genehr da Silva, que abordou diferentes tipos de violência enfrentados pelas mulheres, como a física, psicológica, sexual, moral, patrimonial, institucional, simbólica e on-line. Durante a exposição, ela também apresentou dados sobre feminicídios e violência contra a mulher em Santa Catarina, no Brasil e em Brusque, chamando atenção para a necessidade de ampliar o debate e fortalecer a prevenção.

Segundo a palestrante, entre 2020 e 2025, Santa Catarina registrou 330 homicídios de mulheres, sendo que 168 vítimas eram esposas ou companheiras do agressor. “Em 2025 tivemos em Brusque um caso de feminicídio, da Terezinha Martins. Porém, houve registro de 273 lesões corporais graves. Isso é muito preocupante, porque talvez a intenção dessas lesões não fosse simplesmente lesionar. A gente não sabe se, de repente, pode ter havido até alguma tentativa de feminicídio que, indevidamente, foi caracterizada como lesão corporal. São casos em que a gente tem que ficar muito atenta”, alertou Luciana.

Durante a palestra, a psicóloga também destacou que um dos primeiros passos para a proteção das mulheres é saber identificar as diferentes formas de violência, muitas vezes naturalizadas dentro das relações.

“Entre os caminhos para a proteção da mulher, um dos principais passos é conhecer e reconhecer os tipos de violência. A violência doméstica não começa já na agressão ou no feminicídio. Geralmente ela tem início na violência psicológica ou simbólica, que são aquelas violências relacionadas ao menosprezo, à manipulação, à humilhação da mulher. Parece brincadeira, mas, na verdade, a função é violentar a mulher psicologicamente, diminuir o seu valor e afetar a sua autoestima”, explicou.

Entre os pontos trabalhados durante o encontro estiveram também a importância da transformação cultural por meio da educação para a igualdade, a necessidade de campanhas públicas permanentes, o fortalecimento da proteção institucional, o apoio psicológico e jurídico gratuito, a agilidade no cumprimento de medidas protetivas, a autonomia econômica das mulheres e a mobilização social para interromper ciclos de violência.

A implantação de um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica em Brusque, também ganhou destaque. A reivindicação parte de uma realidade dura: muitas mulheres que sofrem violência não têm para onde ir no momento em que mais precisam de proteção. Sem uma rede de acolhimento imediato no município, elas acabam permanecendo expostas ao agressor ou dependentes de alternativas precárias. Por isso, a criação de um abrigo foi apontada como uma necessidade urgente e uma luta que deve envolver toda a sociedade.

O encontro contou ainda com a participação da vereadora Bete Eccel, que realizou uma dinâmica com as participantes e falou sobre a luta das mulheres, além de apresentar projetos e ações voltados à proteção e à garantia de direitos.

Grupo mensal de debate

Como encaminhamento do encontro, ficou definida junto às associadas a criação de um grupo de mulheres com reuniões mensais no sindicato. A proposta é manter um espaço permanente de escuta, acolhimento, troca de experiências e debate sobre temas importantes para a vida das trabalhadoras.

Ao avaliar a iniciativa, Luciana elogiou a mobilização promovida pelo sindicato e destacou a relevância do papel da entidade nesse processo de conscientização.

“O mérito do Sintrivest, é imenso com essa iniciativa de reunir as associadas, para esse movimento que nós fizemos hoje. Nós trouxemos conhecimentos sobre os tipos de violência contra a mulher, porque se você não conhece, você não sabe identificar. Então, isso é muito importante. Parabéns ao sindicato pelo evento e por toda luta”, declarou.

Ao final, Marli Leandro ressaltou que o sindicato cumpriu seu papel ao levar informação e provocar reflexão entre as associadas, mas observou que o tema exige continuidade e mobilização de toda a sociedade.

 “É um debate fundamental não só entre nós, mulheres, mas em toda a sociedade. A gente não pode considerar o feminicídio como algo normal na nossa sociedade. Precisamos evoluir, amenizar e reverter esse quadro caótico que a gente tem aqui no nosso Estado e na nossa cidade”, completou.

Em um dos momentos mais simbólicos do encontro, ao final da dinâmica conduzida pela vereadora Bete Eccel, as participantes ecoaram juntas o grito: ‘Mulheres importam’. Já no encerramento da programação, uma nova manifestação coletiva reforçou a mensagem central da atividade: ‘Mulheres vivas’.

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