Novo regulamento do Mundial amplia chances de classificação e pode levar a Seleção à próxima fase até mesmo em terceiro lugar no grupo
A Seleção Brasileira entra em campo nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026 diante da Escócia com a classificação para o mata-mata do Mundial muito bem encaminhada. Líder do Grupo C, o Brasil depende apenas de uma vitória para garantir a primeira colocação da chave e avançar sem depender de outros resultados.
No entanto, o cenário mais curioso desta edição da competição é que a equipe comandada pelo técnico brasileiro pode assegurar vaga na próxima fase até mesmo em caso de derrota, algo que seria inédito na história da Seleção em Copas do Mundo.
Atualmente, o Brasil soma quatro pontos e ocupa a liderança do grupo. Caso seja derrotado pela Escócia, permanecerá com a mesma pontuação, enquanto os escoceses chegariam aos seis pontos. Se Marrocos vencer o Haiti na outra partida da chave, alcançará sete pontos e assumirá a liderança, deixando a Seleção Brasileira na terceira colocação.
Apesar da queda na tabela, o Brasil ainda teria grandes chances de avançar graças ao novo formato da competição.
Novo formato amplia possibilidades
Pela primeira vez, além dos dois primeiros colocados de cada grupo, os oito melhores terceiros colocados também garantem vaga na fase eliminatória.
A mudança foi criada para acomodar o aumento no número de seleções participantes e tornou a disputa ainda mais equilibrada. Com isso, equipes que não conseguem terminar entre as duas primeiras posições de suas chaves seguem vivas na luta pela classificação.
Na prática, uma seleção pode avançar ao mata-mata mesmo sem vencer todos os confrontos da fase de grupos, desde que apresente campanha superior à de outras equipes que terminarem em terceiro lugar.
Brasil busca evitar contas
Embora a matemática favoreça a Seleção, o objetivo brasileiro é evitar qualquer dependência dos resultados paralelos. Uma vitória sobre a Escócia garante não apenas a classificação, mas também a liderança do Grupo C, fator considerado importante para o planejamento da sequência da competição.
Historicamente, o Brasil costuma avançar em primeiro lugar nas fases de grupos dos Mundiais. Nas poucas exceções, como nas Copas de 2010, 1974 e 1978, a equipe terminou na segunda colocação.
Agora, com o novo regulamento, surge a possibilidade inédita de a Seleção avançar mesmo ocupando o terceiro lugar da chave, cenário que demonstra como o formato ampliado transformou a dinâmica da principal competição do futebol mundial.
Enquanto a classificação ainda depende da definição dos demais grupos, a disputa entre os terceiros colocados promete ser uma das mais equilibradas do torneio. Em várias chaves, equipes aparecem separadas apenas pelos critérios de desempate, aumentando a importância de cada gol marcado e sofrido ao longo da primeira fase.
Terceiros colocados já fizeram história em Copas do Mundo
Embora a possibilidade de classificação de terceiros colocados seja novidade para o Brasil neste Mundial, o modelo não é inédito na história das Copas do Mundo.
Nos Mundiais de 1986, 1990 e 1994, a competição contava com 24 seleções divididas em seis grupos. Naquele formato, além dos dois primeiros colocados de cada chave, os quatro melhores terceiros colocados também avançavam para as oitavas de final.
O sistema produziu campanhas históricas. Em 1994, a Itália garantiu vaga no mata-mata apenas como terceira colocada de seu grupo. Mesmo assim, a equipe cresceu ao longo da competição e chegou à decisão, sendo derrotada pelo Brasil nos pênaltis na final que marcou a conquista do tetracampeonato brasileiro nos Estados Unidos.
Quatro anos antes, na Copa do Mundo de 1990, foi a Argentina quem avançou às oitavas de final ocupando a terceira colocação de sua chave. Liderada por Diego Maradona, a seleção argentina também alcançou a final, mas acabou superada pela Alemanha Ocidental na disputa pelo título.
Os exemplos demonstram que uma classificação em terceiro lugar não impede uma campanha de destaque nas fases eliminatórias. Pelo contrário, algumas das trajetórias mais marcantes da história dos Mundiais começaram justamente dessa forma.
A partir da Copa do Mundo de 1998, o torneio passou a contar com 32 seleções, distribuídas em oito grupos. Desde então, até a edição de 2022, apenas os dois melhores colocados de cada chave avançavam para a fase eliminatória.
Com a ampliação recente do número de participantes e o retorno da classificação dos melhores terceiros colocados, o Mundial volta a abrir espaço para surpresas e campanhas de recuperação, cenário que pode beneficiar o Brasil caso a Seleção não consiga um resultado positivo diante da Escócia.

