19.4 C
Brusque
sábado, agosto 15, 2026
InícioNotíciasGeralDiagnóstico aponta que Brusque poderá precisar de até 7,8 mil novas moradias...

Diagnóstico aponta que Brusque poderá precisar de até 7,8 mil novas moradias até 2050

Data:

Publicidade

Barni Garden Center

Estudo apresentado nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026 discutiu como a habitação pode impulsionar o desenvolvimento econômico e melhorar o planejamento do município

O Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto DEL), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) e a Prefeitura de Brusque realizaram, nesta quarta-feira (22), a apresentação do diagnóstico “Habitação para o Desenvolvimento Econômico de Brusque”. O evento aconteceu na Uniasselvi e reuniu representantes do poder público, empresários, lideranças e integrantes da comunidade.

A proposta foi discutir como o planejamento urbano e as políticas habitacionais podem impactar diretamente o crescimento econômico do município. O estudo apresentou dados sobre o crescimento populacional, o déficit habitacional, a expansão da construção civil e a necessidade de integração entre a oferta de moradias e as demandas do setor produtivo.

De acordo com o diagnóstico, Brusque poderá ultrapassar 260 mil habitantes até 2050. Atualmente, o município possui um déficit habitacional estimado em 4.660 moradias. Mantidas as condições atuais de oferta habitacional, esse número poderá chegar a até 7.815 domicílios em déficit nas próximas décadas.

O principal componente do déficit atual é o comprometimento excessivo da renda das famílias com o pagamento do aluguel, que representa 77,6% do total. Também fazem parte do levantamento situações de coabitação familiar, adensamento excessivo em imóveis alugados e condições precárias de moradia.

O estudo mostra ainda que Brusque praticamente quadruplicou sua população nas últimas cinco décadas. Em 1970, o município tinha cerca de 35,2 mil habitantes. A estimativa para 2025 é de 155,3 mil moradores. Entre 2017 e 2022, aproximadamente 14 mil pessoas migraram para a cidade, movimento que contribuiu para o crescimento econômico, mas também ampliou a pressão sobre a infraestrutura e a demanda por moradias.

Habitação e desenvolvimento econômico

A construção civil também aparece como um dos setores que acompanham o crescimento do município. Entre 2006 e 2025, o número de empresas do setor passou de 204 para 1.020, enquanto os empregos formais cresceram de 808 para 2.418. O município conta ainda com 1.899 microempreendedores individuais ligados à construção civil.

O diagnóstico também aponta que os investimentos em habitação podem gerar impactos em diferentes áreas da economia. Em uma simulação, um investimento de R$ 25 milhões na construção de 100 moradias poderia movimentar aproximadamente R$ 45 milhões na economia, considerando os efeitos diretos e indiretos. Dessa forma, cada R$ 1 investido em habitação poderia gerar cerca de R$ 1,80 em movimentação econômica.

Para o presidente do Instituto DEL, Alexsandro Bastos, o diagnóstico representa uma oportunidade de unir diferentes setores da sociedade na busca por soluções para o déficit habitacional.

“Sabemos que Brusque é uma cidade empreendedora e, como uma cidade empreendedora, também tem muitos desafios. A habitação é um deles. Houve essa preocupação da Prefeitura, Câmara de Vereadores e entidades locais em tratar desse tema, e nós nos sentimos muito felizes em estar aqui, pela acolhida da cidade. Temos um diagnóstico e vamos trabalhar juntos, criando elos entre a Prefeitura, a Associação Empresarial, os empresários, as lideranças e os trabalhadores”, destacou.

Segundo Bastos, a falta de moradia adequada também pode impactar diretamente o mercado de trabalho e o desenvolvimento do município.

“Esse déficit habitacional impacta no desenvolvimento da cidade. O trabalhador que não tem uma habitação adequada e gasta uma parte significativa da sua renda com aluguel muitas vezes acaba não permanecendo no trabalho e até deixando a cidade. Isso não é bom para o trabalhador, não é bom para o empresário e muito menos para a cidade”, afirmou.

Parceria para novas soluções habitacionais

A iniciativa surgiu a partir da aproximação entre a Câmara de Vereadores, a Prefeitura de Brusque, a Associação Empresarial de Brusque (ACIBr), a CDL Brusque e o Sindilojas com o Instituto DEL e a FACISC. A articulação foi motivada pelo conhecimento de boas práticas já implementadas pelo Instituto DEL em outras localidades e pela busca de soluções que possam contribuir com o desenvolvimento habitacional e econômico de Brusque.

A partir dessa parceria, o estudo deverá auxiliar o município no desenvolvimento de projetos habitacionais, entre eles o programa Casa Catarina, que prevê a construção de 44 casas doadas.

A proposta também busca aproximar o poder público e o setor empresarial na construção de futuras soluções habitacionais destinadas aos trabalhadores. Entre as possibilidades discutidas está a construção de moradias por parte de empresas para seus próprios funcionários, medida que poderia contribuir para ampliar a oferta de imóveis e reduzir o impacto dos altos valores dos aluguéis.

Para o presidente do Instituto DEL, o desafio agora é transformar os dados do estudo em ações concretas.

“Espero que esse trabalho tenha bastante sucesso e que as equipes técnicas que irão trabalhar de forma integrada com o IDEL consigam amenizar essa dificuldade do município. Agradeço a todos que fizeram esforços para que pudéssemos estar aqui realizando esse trabalho”, concluiu.

Publicidade
WhatsApp chat