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México suspende importação de frango e ovos do Brasil após confirmação de doença de Newcastle em granja de SC

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Restrição inclui ovos férteis, carne de frango e aves vivas; foco foi identificado em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense

O México suspendeu, nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, as importações de carne de frango e outros produtos avícolas do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. O anúncio não estabeleceu uma data para a retomada das compras.

Segundo a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural mexicana, a decisão busca proteger a produção avícola nacional, uma vez que o país é considerado livre da doença. As autoridades aguardam informações sobre as ações brasileiras de controle do foco para avaliar as condições sanitárias.

Restrição abrange ovos férteis e aves vivas

Além da carne de frango, a suspensão alcança miúdos de aves, ovos férteis, destinados à incubação, pintinhos de até três dias de vida e aves ornamentais, canoras, de rapina e de companhia.

A medida vale para importações comerciais e também para produtos transportados por viajantes. Para aplicar a restrição, o Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar do México desativou os documentos sanitários necessários à entrada dessas mercadorias.

O mercado mexicano tem participação relevante nas exportações brasileiras. Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o México foi o sétimo maior comprador de carne de frango do Brasil em 2025. Desde 2022, o Brasil é o segundo maior fornecedor do produto ao país, segundo relatório do Ministério da Agricultura.

Diagnóstico foi confirmado por laboratório de referência

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o foco no domingo (18), com divulgação oficial na segunda-feira (19). A ocorrência foi identificada durante uma investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.

As amostras foram analisadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como referência internacional para o diagnóstico da doença.

A granja possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Segundo o ministério, as aves permaneceram na propriedade e não foram destinadas à produção de carne para consumo. O estabelecimento foi interditado, e a movimentação dos animais foi suspensa.

Medidas incluem abate sanitário e monitoramento

O plano de enfrentamento prevê o abate sanitário das aves da propriedade, seguido de limpeza e desinfecção das instalações. As ações são executadas pelo Mapa em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial catarinense.

Também está previsto o acompanhamento de cerca de 133 propriedades na região, com visitas técnicas, avaliações clínicas das aves e coleta de amostras para análise laboratorial. A área de monitoramento abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.

Os quatro municípios foram incluídos em uma declaração federal de emergência zoossanitária com validade de 60 dias. A medida permite agilizar ações de enfrentamento e a articulação entre os órgãos responsáveis.

Produtos inspecionados continuam seguros para consumo

A doença de Newcastle é causada por um vírus que afeta aves domésticas e silvestres. A infecção pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas e digestivas, queda na produção de ovos e elevada mortalidade nos plantéis. A transmissão ocorre pelo contato com animais infectados ou com água, alimentos e equipamentos contaminados.

Apesar da necessidade de medidas rigorosas de controle sanitário, o Ministério da Agricultura ressalta que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo, sem contraindicações relacionadas ao foco identificado.

Governo brasileiro mantém contato com parceiros comerciais

O Mapa informou que está comunicando a ocorrência aos países compradores, com esclarecimentos sobre o diagnóstico, as medidas adotadas e o acompanhamento das propriedades.

Segundo a pasta, as decisões comerciais seguem os protocolos sanitários estabelecidos com cada mercado. O governo brasileiro manterá o diálogo com as autoridades internacionais para atualizar as informações sobre o controle do foco em Santa Catarina.

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