Categoria definiu pauta que será encaminhada ao sindicato patronal, com destaque para reajuste de 10%, novos pisos e redução da jornada para 40 horas semanais
O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento (Sintrafite) realizou, na manhã de domingo, 15 de março, a primeira assembleia da categoria voltada à negociação salarial 2026/2027. O encontro, realizado no auditório Luiz Carlos Groh, na sede do sindicato, em Brusque, reuniu trabalhadores para debater, apresentar sugestões e aprovar as reivindicações que serão encaminhadas ao sindicato patronal.
Conduzida pelo presidente do Sintrafite, Altair Stofela, a assembleia definiu os principais pontos da pauta de reivindicações deste ano. Entre eles, estão o pedido de reajuste de 10%, com reposição do INPC e ganho real, a valorização dos pisos salariais, a redução da jornada semanal para 40 horas e a manutenção das cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho.
Segundo Stofela, a assembleia foi marcada pela participação dos trabalhadores e pela construção conjunta da pauta. “Foi uma assembleia bastante participativa. O pessoal se manifestou e as principais cláusulas que a gente vai negociar, além da manutenção de toda a convenção coletiva que está vigente, foram o aumento real, acima do INPC. Estamos pedindo o INPC mais uma reposição que, somada, chegue a 10% em cima de todos os salários”, destacou.
De acordo com o presidente, a reivindicação parte da realidade enfrentada pelos trabalhadores e também do cenário econômico atual das empresas. “Foi muito bem colocado pelos trabalhadores que as empresas estão bem, graças a Deus, investindo, crescendo. E nós acreditamos que o trabalhador, mereça também esse reconhecimento em seu salário”, afirmou.
Outro ponto central aprovado na assembleia, foi a valorização dos pisos da categoria. A proposta é negociar um piso inicial de R$ 2.500,00 e de R$ 2.700,00 após 90 dias. Hoje, o piso inicial é de R$ 2.200,00 e o segundo piso, de R$ 2.300,00, sendo aplicado após 120 dias.
Stofela explicou que a proposta foi construída com base na realidade observada dentro das empresas e na necessidade de incentivar a permanência do trabalhador após o período de experiência. “O trabalhador achou por bem deixar nesse valor, porque acompanha lá dentro. Eles notam muito que o pessoal não termina a experiência, acaba saindo da empresa. Então, nada melhor do que começar com um salário razoável e, concluído o contrato de experiência, já passar para o segundo piso. Isso seria interessante para motivar o trabalhador a ficar na empresa”, disse.
A assembleia também aprovou entre as cláusulas a serem negociadas com o sindicato patronal, a redução da jornada semanal para 40 horas. Segundo o presidente do sindicato, embora o assunto esteja em debate em nível nacional, a categoria quer antecipar esse avanço por meio da negociação coletiva. “Estamos pedindo a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Vamos levar isso para o sindicato patronal, mesmo tendo essa tramitação no Congresso Nacional, porque já queremos antecipar. Nada melhor do que sair na frente e dar o exemplo para os nossos deputados e parlamentares”, ressaltou.
Além dessas cláusulas, a pauta mantém toda a convenção coletiva vigente e inclui outros pontos que tradicionalmente fazem parte da negociação, como cesta básica e aviso prévio. Ao todo, são 53 cláusulas que serão debatidas entre sindicato laboral e patronal.
Entre as novas propostas discutidas, está um adicional de segundo turno, com proposta para que as empresas se comprometam a pagar aos trabalhadores desse turno, um valor correspondente a 10% do segundo piso salarial pleiteado, fixado em R$ 2.700,00. Também foi debatida a dispensa do aviso prévio, considerando que atualmente a convenção prevê o cumprimento de cinco dias.
A assembleia também aprovou a inclusão da licença-paternidade de 20 dias entre as reivindicações. Durante o encontro, o dirigente sindical Anibal Boettger explicou que, embora a medida tenha sido aprovada pelo Congresso Nacional e ainda aguarde sanção presidencial para virar lei, o Sintrafite defende que ela já seja garantida de forma imediata na convenção coletiva da categoria, visto que o projeto nacional prevê o aumento dos dias de licença, de forma gradativa até 2029.
Outra cláusula debatida foi a da cesta básica. Os trabalhadores opinaram que o benefício pode ser concedido por meio de sacolão ou cartão alimentação, desde que haja restrição para a compra de bebidas alcoólicas e cigarros.
As manifestações dos trabalhadores também marcaram o encontro. Além de apresentarem sugestões e tirarem dúvidas, eles destacaram a importância da mobilização da categoria para conquistar avanços na mesa de negociação. Um dos participantes observou que está na hora de o trabalhador se mexer para alcançar aquilo que realmente quer. Outro reforçou que muitos querem direitos, mas ainda falta disposição para comparecer às assembleias e lutar por eles.
Ao final da assembleia, também foi aprovada uma mudança no formato dos próximos encontros. A próxima assembleia será realizada em uma sexta-feira, em dois horários, pela manhã e no fim da tarde, após o retorno da contraproposta do sindicato patronal.
Para Stofela, a expectativa é de uma boa negociação neste ano, especialmente diante do crescimento observado em empresas do setor têxtil. “Nós estamos esperando que seja uma boa negociação, devido ao crescimento da indústria têxtil. A gente tem acompanhado e visitado várias empresas, porque fizemos diversos acordos durante o ano, e que bom, elas estão crescendo, com galpão, com máquinas novas. Então nada melhor do que agora retribuir um pouquinho disso para o trabalhador e para a nossa trabalhadora, que tanto merecem”, concluiu.

