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sexta-feira, maio 1, 2026
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Safra da tainha começa em Santa Catarina com novas regras e aumento nas cotas de pesca

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A partir desta sexta-feira, 1º de maio, Santa Catarina inicia uma das temporadas mais tradicionais do litoral: a safra da tainha. Mais do que uma atividade econômica, a pesca da tainha representa um importante patrimônio cultural, mobilizando comunidades inteiras e mantendo vivas tradições centenárias, especialmente por meio da pesca artesanal.

Neste período, os ranchos de pesca instalados ao longo das praias se transformam em espaços de trabalho coletivo, convivência e preservação de costumes históricos, envolvendo pescadores, famílias e moradores em uma prática que atravessa gerações.

Novas regras e aumento nas cotas

Para a safra de 2026, uma portaria publicada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, estabelece novas regras, limites de captura e medidas de monitoramento da atividade.

A normativa leva em conta a avaliação mais recente do estoque da espécie, realizada em 2025, e amplia em cerca de 20% o limite total de captura em relação aos anos anteriores.

No litoral catarinense, foram definidas cotas específicas para cada modalidade de pesca:

  • Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas (regiões Sudeste e Sul)
  • Emalhe anilhado: 1.094 toneladas, com limite de 15 toneladas por embarcação e tolerância de 20%
  • Arrasto de praia: 1.332 toneladas
  • Cerco/traineira (pesca industrial): 720 toneladas, divididas entre 15 embarcações (48 toneladas por embarcação)

Em Santa Catarina, foram emitidas 419 licenças para o arrasto de praia, reforçando a relevância social e econômica da pesca artesanal no estado.

Calendário da temporada

A portaria também definiu o calendário oficial para cada modalidade em 2026:

  • Arrasto de praia: de 1º de maio a 31 de dezembro
  • Emalhe anilhado: de 15 de maio a 31 de julho
  • Emalhe costeiro (até 10 AB): de 15 de maio a 15 de outubro
  • Emalhe costeiro (acima de 10 AB): de 15 de maio a 31 de julho
  • Cerco/traineira: de 1º de junho a 31 de julho

Tradição que movimenta comunidades

A pesca por arrasto de praia, uma das mais tradicionais do litoral catarinense, ganha destaque por preservar uma prática histórica das comunidades. Nos ranchos, o trabalho é coletivo: envolve vigília dos cardumes, preparo das redes, puxadas e divisão do pescado.

Essa dinâmica fortalece os laços sociais e mantém viva a identidade cultural das regiões litorâneas.

“Estamos começando mais uma safra da tainha em Santa Catarina, com destaque para a pesca artesanal, que carrega tradição e cultura. Tivemos uma ampliação média de 20% nas cotas e o Estado estará acompanhando toda a safra para garantir bons resultados aos pescadores”, destacou o secretário de Aquicultura e Pesca, Fabiano Müller.

Monitoramento e fiscalização

O controle da atividade será realizado pelo programa PesqBrasil – Monitoramento, com exigências como envio de mapas de bordo, registros de produção e rastreamento por satélite das embarcações.

Além disso, a normativa prevê mecanismos de encerramento antecipado das atividades, conforme o alcance das cotas:

  • Emalhe anilhado: encerramento ao atingir 85% da cota
  • Arrasto de praia: 90% da cota
  • Cerco/traineira: 90% da cota individual

Importância econômica e cultural

Santa Catarina é um dos principais polos da pesca da tainha no Brasil, com atividades que se dividem entre os modelos artesanal e industrial.

A pesca artesanal é fortemente presente em diversas regiões do litoral, especialmente em Florianópolis, Bombinhas e no Sul do estado, como Laguna. Já a pesca industrial ocorre em alto-mar, com maior concentração nos municípios de Itajaí, Navegantes e São Francisco do Sul.

Para 2026, estão autorizadas:

  • 419 embarcações de arrasto de praia
  • 129 embarcações de emalhe anilhado
  • 15 embarcações industriais (cerco/traineira)

Safra reforça identidade catarinense

Mais do que números e produção, a safra da tainha representa um símbolo da cultura catarinense. A cada temporada, a atividade reforça tradições, movimenta a economia e aproxima comunidades em torno de uma prática que é, ao mesmo tempo, trabalho e herança cultural.

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Arquivo / SECOM
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