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Mortes em intervenções policiais crescem em Santa Catarina e geram debate sobre uso da força

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Estado registrou alta de 24,3% em 2025; dados apontam tendência de aumento também em 2026

Santa Catarina registrou aumento de 24,3% nas mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Ao todo, 92 pessoas morreram em confrontos com a Polícia Militar no último ano, o maior número desde 2019.

O índice representa, na prática, uma média de uma morte a cada quatro dias no estado. Em 2024, haviam sido registrados 74 casos.

Série histórica aponta crescimento recente

A análise dos dados entre 2019 e 2025 mostra oscilações ao longo dos anos, com queda entre 2021 e 2022, quando foram registradas 66 e 43 mortes, respectivamente, e retomada de crescimento a partir de 2023.

Em 2025, o número chegou ao maior patamar da série. A média anual no período é de cerca de 72 mortes.

Nos primeiros meses de 2026, o cenário segue em alta. Até o dia 10 de abril, foram registradas 39 mortes, número que pode chegar a 44 ao considerar ocorrências recentes não incluídas na contagem oficial.

Caso recente em Joinville

Um dos casos mais recentes ocorreu em Joinville, no dia 27 de abril, durante um assalto. Dois homens morreram após confronto com a polícia, enquanto um terceiro suspeito foi preso.

Segundo a Polícia Militar, os suspeitos teriam desobedecido às ordens da equipe e tentado reagir à abordagem, o que levou os agentes a agir “de forma proporcional e moderada”. As vítimas morreram no local antes da chegada do socorro.

Perfil das vítimas

Os dados indicam que o perfil predominante das mortes é de homens jovens, entre 21 e 30 anos, com ocorrências concentradas no período noturno e em áreas urbanas.

Mais de 98% das vítimas são do sexo masculino. Em relação à raça, pessoas brancas são maioria, refletindo a composição demográfica do estado, embora haja aumento no número de vítimas pretas e pardas nos últimos anos.

Também chama atenção o fato de que cerca de 25% das vítimas em 2025 não possuíam antecedentes criminais registrados.

Distribuição pelo estado

Entre 2023 e 2026, 66 municípios catarinenses registraram mortes decorrentes de intervenção policial, o equivalente a cerca de 22% das cidades do estado.

Florianópolis lidera o número de ocorrências, com crescimento expressivo nos últimos anos. Já Joinville apresentou redução no período analisado.

Uso da força em debate

Especialistas em segurança pública apontam que o uso da força é uma atribuição do Estado, mas deve seguir protocolos rigorosos e ser utilizado como último recurso.

O coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Leonardo Silva, destaca que existem diferentes níveis de uso da força, que vão desde a presença policial até a intervenção letal.

Já a antropóloga Flávia Medeiros ressalta que a morte não pode ser considerada uma resposta legítima a crimes, defendendo mudanças estruturais nas políticas públicas de segurança.

Câmeras corporais e transparência

Outro ponto de debate é a suspensão do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar de Santa Catarina em 2024. A medida foi justificada pela corporação por questões técnicas, como falta de manutenção e armazenamento.

Especialistas consideram a retirada um retrocesso, enquanto o Ministério Público defende a retomada do uso dos equipamentos, ao menos em situações específicas, como operações e atendimentos de ocorrências sensíveis.

Posição da Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar atribuiu o aumento das mortes ao crescimento expressivo das operações policiais, que, segundo a corporação, tiveram incremento superior a 300% nos últimos anos.

A instituição afirma que, apesar do aumento das ações, o crescimento das mortes ocorreu em proporção menor, indicando redução da taxa por operação. A PM também reforça que os confrontos, em sua maioria, acontecem após resistência de suspeitos.

Estado mantém baixos índices gerais de violência

Apesar do aumento nas mortes decorrentes de intervenção policial, Santa Catarina continua entre os estados com menores índices de mortes violentas intencionais do país.

Em 2024, a taxa foi de 8,5 casos por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional. Ainda assim, especialistas alertam para a necessidade de acompanhamento e debate sobre o uso da força e políticas de segurança pública.

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