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Diagnóstico aponta que Brusque poderá precisar de até 7,8 mil novas moradias até 2050

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Estudo apresentado nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026 discutiu como a habitação pode impulsionar o desenvolvimento econômico e melhorar o planejamento do município

O Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto DEL), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) e a Prefeitura de Brusque realizaram, nesta quarta-feira (22), a apresentação do diagnóstico “Habitação para o Desenvolvimento Econômico de Brusque”. O evento aconteceu na Uniasselvi e reuniu representantes do poder público, empresários, lideranças e integrantes da comunidade.

A proposta foi discutir como o planejamento urbano e as políticas habitacionais podem impactar diretamente o crescimento econômico do município. O estudo apresentou dados sobre o crescimento populacional, o déficit habitacional, a expansão da construção civil e a necessidade de integração entre a oferta de moradias e as demandas do setor produtivo.

De acordo com o diagnóstico, Brusque poderá ultrapassar 260 mil habitantes até 2050. Atualmente, o município possui um déficit habitacional estimado em 4.660 moradias. Mantidas as condições atuais de oferta habitacional, esse número poderá chegar a até 7.815 domicílios em déficit nas próximas décadas.

O principal componente do déficit atual é o comprometimento excessivo da renda das famílias com o pagamento do aluguel, que representa 77,6% do total. Também fazem parte do levantamento situações de coabitação familiar, adensamento excessivo em imóveis alugados e condições precárias de moradia.

O estudo mostra ainda que Brusque praticamente quadruplicou sua população nas últimas cinco décadas. Em 1970, o município tinha cerca de 35,2 mil habitantes. A estimativa para 2025 é de 155,3 mil moradores. Entre 2017 e 2022, aproximadamente 14 mil pessoas migraram para a cidade, movimento que contribuiu para o crescimento econômico, mas também ampliou a pressão sobre a infraestrutura e a demanda por moradias.

Habitação e desenvolvimento econômico

A construção civil também aparece como um dos setores que acompanham o crescimento do município. Entre 2006 e 2025, o número de empresas do setor passou de 204 para 1.020, enquanto os empregos formais cresceram de 808 para 2.418. O município conta ainda com 1.899 microempreendedores individuais ligados à construção civil.

O diagnóstico também aponta que os investimentos em habitação podem gerar impactos em diferentes áreas da economia. Em uma simulação, um investimento de R$ 25 milhões na construção de 100 moradias poderia movimentar aproximadamente R$ 45 milhões na economia, considerando os efeitos diretos e indiretos. Dessa forma, cada R$ 1 investido em habitação poderia gerar cerca de R$ 1,80 em movimentação econômica.

Para o presidente do Instituto DEL, Alexsandro Bastos, o diagnóstico representa uma oportunidade de unir diferentes setores da sociedade na busca por soluções para o déficit habitacional.

“Sabemos que Brusque é uma cidade empreendedora e, como uma cidade empreendedora, também tem muitos desafios. A habitação é um deles. Houve essa preocupação da Prefeitura, Câmara de Vereadores e entidades locais em tratar desse tema, e nós nos sentimos muito felizes em estar aqui, pela acolhida da cidade. Temos um diagnóstico e vamos trabalhar juntos, criando elos entre a Prefeitura, a Associação Empresarial, os empresários, as lideranças e os trabalhadores”, destacou.

Segundo Bastos, a falta de moradia adequada também pode impactar diretamente o mercado de trabalho e o desenvolvimento do município.

“Esse déficit habitacional impacta no desenvolvimento da cidade. O trabalhador que não tem uma habitação adequada e gasta uma parte significativa da sua renda com aluguel muitas vezes acaba não permanecendo no trabalho e até deixando a cidade. Isso não é bom para o trabalhador, não é bom para o empresário e muito menos para a cidade”, afirmou.

Parceria para novas soluções habitacionais

A iniciativa surgiu a partir da aproximação entre a Câmara de Vereadores, a Prefeitura de Brusque, a Associação Empresarial de Brusque (ACIBr), a CDL Brusque e o Sindilojas com o Instituto DEL e a FACISC. A articulação foi motivada pelo conhecimento de boas práticas já implementadas pelo Instituto DEL em outras localidades e pela busca de soluções que possam contribuir com o desenvolvimento habitacional e econômico de Brusque.

A partir dessa parceria, o estudo deverá auxiliar o município no desenvolvimento de projetos habitacionais, entre eles o programa Casa Catarina, que prevê a construção de 44 casas doadas.

A proposta também busca aproximar o poder público e o setor empresarial na construção de futuras soluções habitacionais destinadas aos trabalhadores. Entre as possibilidades discutidas está a construção de moradias por parte de empresas para seus próprios funcionários, medida que poderia contribuir para ampliar a oferta de imóveis e reduzir o impacto dos altos valores dos aluguéis.

Para o presidente do Instituto DEL, o desafio agora é transformar os dados do estudo em ações concretas.

“Espero que esse trabalho tenha bastante sucesso e que as equipes técnicas que irão trabalhar de forma integrada com o IDEL consigam amenizar essa dificuldade do município. Agradeço a todos que fizeram esforços para que pudéssemos estar aqui realizando esse trabalho”, concluiu.

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