Desfile com 84 looks marcou a noite desta quarta-feira e integrou programação da rodada que reúne fabricantes catarinenses e cerca de 600 compradores de diferentes regiões do Brasil
A moda catarinense ganhou a passarela na noite desta quarta-feira, 12 de agosto, durante um dos momentos de destaque da 75ª Pronegócio, em Brusque. O tradicional jantar e desfile promovido pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr) apresentou ao público a coleção Alto Verão 2027, reunindo empresários, compradores e representantes de entidades ligadas ao setor produtivo.
Realizado na Sociedade Beneficente e Recreativa Santos Dumont, no bairro Santa Terezinha, o desfile apresentou 84 looks de 21 marcas participantes, contemplando os segmentos feminino, masculino, infantil e plus size.
Com o tema “Verão Mediterrâneo”, a apresentação buscou inspiração na atmosfera da Sardenha, ilha italiana marcada pelas paisagens e pela relação com o Mar Mediterrâneo. A produção ficou sob responsabilidade da Têia Fashion LAB.
Mais do que um momento de confraternização, o desfile funciona como uma extensão da própria rodada de negócios. Durante os quatro dias de Pronegócio, compradores analisam coleções e negociam diretamente com fabricantes. Na passarela, as peças deixam cabides e araras e passam a ser observadas em movimento, permitindo uma leitura diferente de modelagens, combinações e propostas.
O presidente da AmpeBr, Mauro Schoening, definiu justamente o desfile como um dos pontos altos da programação. Segundo ele, a apresentação valoriza os produtos ao permitir que os compradores tenham uma percepção diferente daquela encontrada durante as negociações.
Tendências ajudam fabricantes a chegar mais preparados
A 75ª edição também teve um trabalho voltado à pesquisa de tendências. Para esta temporada, a AmpeBr contratou a consultora de moda Chai Demarch, que atua em São Paulo acompanhando movimentos nacionais e internacionais do setor.
A proposta, segundo Schoening, é aproximar ainda mais os fabricantes das tendências e das demandas percebidas no mercado, fornecendo informações que possam contribuir para o desenvolvimento das coleções apresentadas aos lojistas.
Essa preocupação acompanha uma característica histórica da Pronegócio. A própria AmpeBr já definiu a rodada como uma espécie de termômetro para as confecções, uma vez que a reação dos compradores às novas coleções ajuda os fabricantes a avaliar a aceitação comercial de seus lançamentos.

De 67 fabricantes a uma das principais vitrines da confecção brasileira
A realização da 75ª edição também evidencia a trajetória construída pela Pronegócio ao longo de quase três décadas.
A primeira rodada foi realizada em agosto de 1997, na Sociedade Esportiva Bandeirante, em Brusque. Na ocasião, participaram 67 empresas fabricantes e cerca de 25 compradores. A iniciativa surgiu como uma alternativa para aproximar pequenas confecções de novos mercados em um período de dificuldades para o setor.
O projeto cresceu e se transformou. Atualmente, a Pronegócio é realizada quatro vezes por ano, acompanhando as principais coleções da indústria da moda. As edições acontecem tradicionalmente em janeiro, maio, agosto e novembro.
A dimensão alcançada pode ser observada também nas edições recentes. Em janeiro deste ano, por exemplo, a 73ª Pronegócio recebeu mais de 750 lojistas de diferentes regiões do Brasil para a coleção Inverno 2026.
115 fabricantes e 600 compradores em Brusque
Na atual edição, 115 fabricantes catarinenses e cerca de 600 compradores participam da programação em Brusque.
A rodada começou na terça-feira, 11, e segue até sexta-feira, 14 de agosto, no Pavilhão de Eventos de Brusque. Durante os quatro dias, os fabricantes apresentam seus lançamentos e negociam diretamente com lojistas interessados em abastecer seus estabelecimentos com a coleção Alto Verão 2027.
O formato é uma das características que diferenciam a Pronegócio. Em vez de uma feira convencional, a proposta é promover o encontro organizado entre indústria e varejo, concentrando fornecedores e compradores em um ambiente preparado para negociações. A organização também mantém estrutura de credenciamento e qualificação dos compradores.
Para o presidente da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e dos Empreendedores Individuais de Santa Catarina (Fampesc), Pedro Gilmar Fank, o modelo reduz riscos para os fabricantes, pois permite que as empresas negociem seus produtos antes de avançar na produção e na aquisição de matéria-prima.

Evento movimenta muito além da indústria têxtil
A importância da Pronegócio também está no movimento econômico gerado fora do Pavilhão de Eventos. A presença de centenas de compradores vindos de outras regiões movimenta setores como hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e prestação de serviços.
Esse reflexo não é recente. A própria história da rodada registra seu impacto sobre o turismo de negócios e a permanência de compradores que retornam regularmente a Brusque para negociar com fabricantes catarinenses.
O prefeito de Brusque, André Vechi, destacou durante a programação que a Pronegócio já integra o calendário do município e contribui para divulgar nacionalmente a produção local, fortalecendo uma cadeia econômica historicamente ligada à indústria têxtil e à moda.
O gerente regional do Sebrae, foz, Aluísio Salomon, lembrou que a instituição acompanha a Pronegócio desde sua primeira edição e ressaltou especialmente a oportunidade oferecida às pequenas empresas para estabelecer contato direto com compradores de várias regiões brasileiras.
Também prestigiaram o evento a presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento (Sindivest), Patrícia Conte, e o presidente da CDL Brusque, Antônio Roberto Pacheco. As lideranças destacaram a importância da rodada não apenas para a cadeia têxtil, mas para diferentes setores da economia de Brusque e de Santa Catarina.
Brusque recebe compradores de todo o país
Ao chegar à 75ª edição, a Pronegócio mantém uma característica presente desde sua criação: usar a vocação confeccionista de Brusque e de Santa Catarina para aproximar pequenas e médias indústrias de compradores que dificilmente seriam alcançados individualmente pelas empresas.
A dimensão mudou consideravelmente desde aquela primeira rodada de 1997, mas a essência permanece. A organização define atualmente a Pronegócio como a maior rodada de negócios de confecção do Brasil, reunindo indústria e varejo em quatro edições anuais.
E, nesta semana, com centenas de compradores circulando pela cidade e a coleção Alto Verão 2027 sendo apresentada ao mercado, Brusque volta a ocupar posição de vitrine para a moda produzida em Santa Catarina.










