Comandante dos bombeiros relata deterioração da arquibancada metálica; liberação depende de recuperação da estrutura, documentação técnica e nova vistoria
O Estádio Augusto Bauer, a Arena Simon, foi parcialmente interditado após os problemas de segurança que interromperam a partida entre Brusque e Paysandu, no sábado, 10 de outubro. Em entrevista à Rádio Diplomata, o comandante do Corpo de Bombeiros de Brusque informou que houve aplicação de multa e que a desinterdição depende da recuperação do local, da apresentação de documentação técnica e de uma nova vistoria.
Segundo o comandante, a estrutura metálica da arquibancada apresentava deterioração acentuada. Na avaliação dele, a permanência dos torcedores no espaço poderia ter provocado uma tragédia.
A interdição parcial é uma das consequências confirmadas do episódio. Eventuais punições esportivas, como perda de mando de campo, dependem de análise e decisão da Justiça Desportiva.
Comandante relata o que encontrou no estádio
O comandante explicou que, inicialmente, recebeu a informação de que havia uma briga no estádio. Posteriormente, foi esclarecido que a ocorrência não se tratava de um confronto entre torcedores, e uma equipe de serviço foi enviada ao local.
Os bombeiros que chegaram ao Augusto Bauer informaram que o jogo havia sido interrompido. O comandante relatou que ficou mais tranquilo por acreditar que a partida já estava suspensa e que a situação de risco não teria continuidade.
No entanto, ao ser informado de que havia uma tentativa de remanejar os torcedores para outra área, decidiu se deslocar imediatamente ao estádio.
Ao chegar, segundo seu relato, ficou assustado com as condições da arquibancada metálica, cuja estrutura descreveu como completamente deteriorada. O comandante afirmou que a desocupação era necessária para evitar uma possível tragédia.
O que será necessário para liberar a área
Conforme o Corpo de Bombeiros, a liberação da parte interditada depende da recuperação das condições de segurança e da apresentação de um laudo elaborado por engenheiro habilitado, além do atendimento às exigências dos demais órgãos envolvidos.
Após a realização das adequações e a solicitação de nova vistoria, os bombeiros retornarão ao estádio para avaliar a situação. A decisão sobre a desinterdição será tomada a partir dessa análise.
Portanto, a apresentação de um laudo, isoladamente, não representa liberação automática do espaço. O procedimento informado pelo comandante inclui a verificação das condições do local antes da autorização para sua utilização.
Carlos Renaux aguarda avaliação de engenheiro
Procurado pela Rádio Diplomata, o presidente do Carlos Renaux, Altair Heck, informou que o clube aguarda o laudo de um engenheiro contratado para avaliar a estrutura.
O documento deverá contribuir para esclarecer as condições do local e orientar os próximos encaminhamentos relacionados à recuperação da área.
Polícia Militar afirma que segurança seguia as normas
O comandante da Polícia Militar em Brusque, tenente-coronel Pedro Machado Junior, em declarações a imprensa afirmou que a segurança da partida estava dentro das normas.
O posicionamento da PM integra a apuração sobre as circunstâncias do evento, juntamente com a avaliação dos bombeiros, as manifestações dos clubes e o procedimento administrativo anunciado pela Polícia Civil.
Haverá perda de mando de campo?
A interdição parcial informada pelos bombeiros diz respeito às condições de utilização da estrutura. Uma eventual perda de mando de campo é uma penalidade esportiva e depende de decisão da Justiça Desportiva.
O Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê sanções relacionadas à falta de infraestrutura e segurança, assim como punições para determinadas ocorrências de desordem. A aplicação de cada medida depende do enquadramento dos fatos e da análise das responsabilidades.
Até a consulta realizada para esta reportagem, não foi localizada decisão publicada do STJD impondo perda de mando ao Brusque em razão da partida contra o Paysandu. A medida confirmada na entrevista dos bombeiros é a interdição parcial, acompanhada de multa e de exigências para a desinterdição.
Polícia Civil anuncia procedimento administrativo
A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da 17ª Delegacia Regional de Polícia de Brusque, comunicou que será instaurado procedimento administrativo para apurar as circunstâncias relacionadas à organização da partida.
A apuração terá atenção especial às condições de segurança da arquibancada destinada à torcida visitante e aos fatos que motivaram a interrupção do evento.
Segundo a nota encaminhada à reportagem, serão avaliados a atuação dos responsáveis pela organização e realização da partida, as medidas adotadas e o comportamento dos torcedores. O objetivo é verificar o cumprimento das exigências aplicáveis e identificar eventuais irregularidades.
O trabalho ficará a cargo do Setor de Jogos e Diversões Públicas. O comunicado não apresenta conclusão sobre responsabilidades.
Brusque não fará nova manifestação por enquanto
Procurado pela Rádio Diplomata, o Brusque informou que não fará uma nova manifestação até que surjam novos fatos.
Em comunicados anteriores, o clube afirmou que adotou as medidas preventivas necessárias para a realização da partida, seguindo determinações das autoridades e normas da CBF. Também lamentou os transtornos provocados pela suspensão.
Na nota divulgada no domingo, o Quadricolor informou que foram comercializados 616 ingressos para o setor visitante, cuja capacidade autorizada, segundo o clube, era de 620 pessoas.
O Brusque alegou que torcedores do Paysandu forçaram o acesso, danificaram a catraca e comprometeram o sistema de controle de entrada. Conforme a versão do clube, o ingresso irregular teria elevado a ocupação e possivelmente contribuído para os danos à arquibancada.
Essas alegações representam o posicionamento do Brusque e não constituem uma conclusão técnica sobre as causas do comprometimento da estrutura.
Paysandu contesta decisões e cobra apuração
O Paysandu criticou as condições oferecidas aos visitantes e encaminhou manifestação à CBF e ao STJD questionando as decisões adotadas após a interrupção.
Conforme publicações do Portal da Cidade Brusque e do veículo paraense Roma News, o clube informou que disputou o complemento sob protesto e solicitou documentos relacionados à segurança do estádio e à condução da rodada.
Entre os questionamentos estão a continuidade da partida sem público e a paralisação simultânea de Ferroviária e Inter de Limeira. Os pedidos apresentados pelo Paysandu dependem de análise das instâncias competentes e não representam, por si só, uma punição ao Brusque.
Fala do locutor provoca revolta
Durante a paralisação, uma declaração do locutor do estádio dirigida à torcida visitante também provocou revolta: “Atenção, torcedores do Paysandu, se vocês não se comportarem como seres humanos, serão evacuados”.
O repórter da Rádio Diplomata, Adonias Martins, estava ao lado do locutor e presenciou a manifestação.
Em nota oficial, o Paysandu repudiou a fala, classificando-a como xenofóbica e afirmando que ela ofendeu os torcedores bicolores e o povo paraense e nortista.
Partida terminou no domingo, sem público
Brusque e Paysandu começaram o confronto no sábado, dia 10, pela última rodada do quadrangular da Série C. O jogo foi interrompido no fim do primeiro tempo, quando a equipe paraense vencia por 1 a 0.
A CBF determinou a continuidade no domingo, dia 11, às 15h, com portões fechados. Para manter a simultaneidade dos confrontos decisivos do grupo, Ferroviária e Inter de Limeira também tiveram a conclusão transferida para o dia seguinte.
Na retomada, Brusque e Paysandu empataram por 1 a 1. As duas equipes encerraram a participação na competição sem conquistar o acesso à Série B.



