Venda deve beneficiar 640 pessoas que aguardam desde 2011 pelo recebimento integral dos créditos trabalhistas
Os ex-trabalhadores da Companhia Industrial Schlösser presentes à assembleia de domingo, 25 de outubro, aprovaram a venda do terreno da antiga Associação Atlética Schlösser, em Brusque, por leilão extrajudicial. A proposta prevê lance mínimo de R$ 9 milhões e prazo até 8 de dezembro de 2026 para apresentação de propostas.
A decisão busca viabilizar o pagamento do saldo das indenizações trabalhistas de 640 ex-funcionários. O grupo aguarda desde 2011, quando a empresa entrou em recuperação judicial, pelo recebimento integral desses valores. A venda do terreno integra o plano de recuperação da fábrica, de 2012.
Com 27.189,58 metros quadrados, a área que abrigava a associação dos funcionários fica na Rua Gustavo Halfpap, na região do Centro II. O imóvel tem avaliação de R$ 15 milhões. O lance mínimo de R$ 9 milhões tem por objetivo atrair interessados e estimular a disputa.
A assembleia foi convocada pela SCTS Administradora de Bens Imóveis Ltda., responsável pela administração do terreno, e ocorreu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Fiação e Tecelagem de Brusque e Região (Sintrafite). Os administradores Anibal Boettger e Valdírio Vanolli e o advogado Dr. Márcio Silveira apresentaram a proposta e responderam às dúvidas dos participantes. Também participaram o presidente do Sintrafite, Altair Stofela, o integrante da Comissão que representa os ex-funcionários, Evandro de Medeiros, e a assessora jurídica do Sindmestre, Dra. Vivian Morch Gonçalves.
Edital e condições de pagamento
O comprador deverá pagar 50% do valor de entrada e o restante em 12 parcelas corrigidas. A regra valerá também se a disputa elevar o preço acima do lance mínimo.
Segundo Anibal Boettger, com a autorização dos trabalhadores, os próximos encaminhamentos incluem a contratação do leiloeiro oficial Cesar Luis Moresco e a publicação do edital, prevista para os próximos dias. O documento trará as regras de participação, e os trabalhadores poderão acompanhar os lances na página pública do leiloeiro, no site morescoleiloes.com.br.
Uma alternativa à venda direta
Durante a assembleia, Dr. Márcio Silveira explicou que a proposta de leilão surgiu diante dos anos de tentativas de venda do imóvel por meio de imobiliárias, sem uma oferta viável. Para o advogado, além de um preço que atraia compradores, a definição de um prazo pode levar quem já avalia a compra, a tomar uma decisão.
“O leilão tem um dia para começar e um dia para terminar. O interessado terá de se posicionar dentro desse período, sob o risco de perder a oportunidade para outro comprador”, explica.
Valdírio Vanolli também avalia que a modalidade pode facilitar a negociação. Ele destacou a participação dos ex-funcionários e as explicações sobre o funcionamento do leilão. “Eu acredito que o leilão é uma boa alternative e que conseguiremos vender esse terreno”.
Comissão e distribuição dos recursos
Outra diferença está na comissão. Na venda direta, os credores teriam de pagar 4% ao corretor. Em um negócio de R$ 10 milhões, o desconto seria de R$ 400 mil, com R$ 9,6 milhões para os credores. No leilão, o comprador será responsável pela comissão do leiloeiro.
Na oportunidade, Dr. Márcio recordou que parte das indenizações já foi paga com recursos da venda de outro imóvel, na Avenida Getúlio Vargas. No levantamento feito após aquela liberação, o saldo da dívida trabalhista era de aproximadamente R$ 9,5 milhões. Segundo o advogado, essa estimativa serviu de base para o preço de R$ 10 milhões na proposta de venda direta.
Se a venda se concretizar, os administradores vão convocar os credores para tratar da distribuição dos recursos. O repasse depende da efetivação do negócio e do recebimento dos valores.
O prazo de 8 de dezembro marcará o encerramento dessa tentativa de venda por leilão. Caso não haja interessados, o imóvel voltará à venda pelos meios tradicionais, pelo valor de R$ 10 milhões.

