UTIs Covid: saiba mais sobre o trabalho da equipe de fisioterapeutas do Hospital Azambuja

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Há pouco mais de um ano, o Brasil e o mundo vivem cercados pelos casos de Covid-19, que tem levado muitas vidas e provocado estudos nas comunidades científicas e médicas por todo o planeta. Em Brusque, o Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux – Hospital Azambuja recebe diariamente novos pacientes, acometidos pela doença, que são internados nos leitos de clínica médica, e os casos mais graves, encaminhados às Unidades de Terapia Intensiva para Covid. Foram instalados 29 leitos novos de UTIs no hospital desde o mês de julho de 2020, que receberam diversos pacientes com Covid. Em muitos casos, as equipes de médicos, enfermeiros e técnicos, nutricionistas e fisioterapeutas, comemoraram o restabelecimento dos pacientes, já outros, infelizmente acabaram não vencendo a luta contra a doença.

Muito se falou, nos primeiros meses da Covid-19 ‘instalada’ no país, da necessidade de leitos de UTI e respiradores, mas por trás dos equipamentos, são necessárias as equipes de profissionais, que englobam os fisioterapeutas. De acordo com o gestor hospitalar Gilberto Bastiani, o hospital tornou-se referência na região nos atendimentos de pessoas que contraíram o novo coronavírus e hoje conta com doze fisioterapeutas que atuam especificamente nas UTIs Covid.

O principal objetivo das equipes é manter a qualidade de vida e de tratamento dos pacientes, através de avaliações realizadas 24 horas por dia. Entre as técnicas adotadas pelos fisioterapeutas está a utilização do ultrassom radiológico. “Aqui na região do Vale do Itajaí acredito que somente a nossa equipe de fisioterapeutas do Hospital Azambuja é que utiliza o ultrassom radiológico dentro da UTI para avaliar o coração e o pulmão do paciente, e a partir disso, determinar as condutas necessárias. Utilizamos este recurso porque se formos tirar este paciente da UTI e o levarmos para a sala de tomografia, ele pode morrer durante este trajeto, já que trata-se de uma pessoa em estado grave e instável. Com o ultrassom evitamos este risco. Fazemos todo o exame diariamente no paciente, vimos a sobrecarga hídrica dentro do pulmão, o tamponamento cardíaco, a função da contração cardíaca, entre outros fatores. E os resultados estão sendo muito positivos desde que adotamos esta dinâmica”, enfatiza o coordenador geral da Fisioterapia e coordenador do Setor de Ventilação Mecânica do Azambuja, Marcelo Rocha Soares da Silva.

O coordenador comenta ainda que para atuar nas UTIs Covid são necessários profissionais que tenham capacidade de avaliação, de diagnóstico clínico e funcional, que trabalhem bem com a parte respiratória e cardiovascular dos pacientes e que atuem de forma eficaz na ventilação mecânica, que é o aparelho que faz o paciente respirar. “É um equipamento que pode desencadear uma série de situações no paciente e o profissional fisioterapeuta precisa ser muito habilitado para trabalhar com cada novo fator que surgir durante o tratamento. Qualquer profissional dentro da UTI Covid, a decisão que tomar será difícil, pois pode custar a vida do paciente. Não é apenas o trabalho da fisioterapia, mas de um conjunto de profissionais e o cuidado que se tem com a ventilação mecânica”, revela.

O mesmo é enfatizado por Bastiani, que relembra todo o trabalho desenvolvido pelas equipes de UTI até então, e que estão longe de acabar, visto que a pandemia da Covid-19 ainda está em plena ação. “O Azambuja permanece com este trabalho incansável de acolher e tratar de todas as pessoas que aqui chegam, com esta doença. Investimos na instalação de leitos de UTI, recebemos doações do Estado e de empresas parceiras do hospital, para contarmos com um ambiente próprio para o tratamento de quem mais sofre com a Covid-19. Mas por trás disso tudo, estão nossas equipes de profissionais, que diariamente não medem esforços para salvar vidas”, destaca.

Segunda data de nascimento

O coordenador da Fisioterapia revela que nos casos bem sucedidos, quando o paciente é extubado, ou seja, não necessita mais da intervenção do ventilador mecânico para respirar, o trabalho dos fisioterapeutas permanece, a fim de atuar na recuperação. “O paciente continua na UTI por alguns dias, até os profissionais perceberem que há uma estabilidade respiratória e hemodinâmica, ou seja, esse paciente vai conseguir respirar sem a ajuda de aparelho. E quando ele sai da UTI, vai para a enfermaria, onde temos uma outra equipe de fisioterapeutas para avaliar e realizar o acompanhamento do paciente nos dias seguintes”, comenta.

O coordenador chama atenção da população sobre as sequelas que a Covid-19 pode deixar nas pessoas que permanecem por muito tempo internadas. “Brigamos tanto pelo respirador, mas esquecemos que alguns dos pacientes que o utilizam desenvolvem uma lesão renal ou lesão intersticial tubular, então precisam também da máquina de hemodiálise em algumas situações. Até para manusear o ventilador você precisa ter noção de tudo o que acontece com o paciente, da quantidade de medicamentos que entra, da função cardíaca, da função renal, da situação hemodinâmica geral do paciente. Ele precisa ser monitorado 24 horas por dia. Por isso existe uma parceria muito grande entre o fisioterapeuta, o nutricionista, o médico, o enfermeiro e o técnico de enfermagem”, enfatiza.

Conforme observação das equipes do Azambuja, quanto mais tempo a pessoa ficar internada, pior é o prognóstico. Atualmente a média de internação é de 30 a 50 dias para a pessoa sair da UTI. O tempo de ventilação mecânica gira em torno de 18 a 20 dias, sendo que depois de extubado, o paciente permanece internado por aproximadamente mais uma semana, até sair da UTI com o máximo de independência possível, para que consiga ficar de pé e dar os primeiros passos. “Este período na UTI Covid o paciente perde muita massa muscular. Imagina a pessoa ficar deitada 24 horas por dia, durante 20 dias sem mexer um músculo, o que chamamos de catabolismo, que degrada o tecido muscular, a pessoa fica hipotônica, perde contração muscular, força, estabilidade, equilíbrio, e tem que reaprender tudo isso depois que se recupera. Porém, não é uma regra, os casos que chegam de forma precoce, conseguimos tirar do respirador em oito, dez dias e a recuperação torna-se mais rápida. Quem sai da UTI, falamos que tem uma segunda data de nascimento”, explica.

Ambulatório Pós-Covid

Nos últimos dias o Azambuja tem realizado estudos para implantação de um Ambulatório Pós-Covid, focado na recuperação das pessoas que tiveram a doença. “Inúmeras pessoas estão chegando pós-Covid com sintomas muito graves. Muitas estiveram na UTI, na internação, receberam alta médica e duas, três semanas depois, voltaram ao hospital com outros sintomas graves. Nosso objetivo, que está em estudos no momento, é termos um ambulatório específico para atender esses pacientes, com equipes que atuarão em cada necessidade que surgir, para que estes pacientes consigam ter uma recuperação plena”, enfatiza o gestor hospitalar, Gilberto Bastiani.

Jovens precisam ficar atentos aos sintomas

As mortes pela doença têm atingido jovens e adultos na fase mais produtiva de suas vidas e o coordenador da Fisioterapia ressalta a importância de se dar atenção aos sintomas. Segundo Silva, a primeira onda da Covid atingiu em maior número os idosos, pessoas de 65 a 90 anos, muitos que já tinham comorbidades, como doenças pulmonares, cardíacas, diabetes, obesidade. Nesta nova onda, considerada a terceira, a doença tem atingido pessoas mais jovens, que estão chegando ao hospital com uma maior degradação do pulmão. “O idoso já tem uma perda da massa muscular e, associada a isso, tem a perda de algumas células importantes para a respiração, ou seja, ele tem um limiar de esforço mais baixo. Então o pulmão quando começava a ter um processo de degradação pela Covid, esse idoso já vinha para o hospital, trazido por seu familiar, porque ele perdia muito a capacidade dele, chegava aqui com 20, 30 ou 40% do pulmão acometido, no máximo, foram poucos os que chegaram acima disso. Já o jovem, atualmente, pela força que tem, ele suporta mais o desconforto e evita ao máximo vir ao hospital. Hoje temos pacientes que chegam aqui com 77% do pulmão acometido. O que tínhamos no máximo de 30% a 40% na primeira onda, temos agora no mínimo 70% de comprometimento do pulmão. E para reverter esse tipo de quadro se torna mais difícil, porque o pulmão chegou a um grau de complexidade muito grande. Estamos com pessoas de 20 a 50 anos nas UTIs Covid que equivalem a cerca de 80% de nossas internações”, revela.

Recomendações

Desconforto, aumento da perda da capacidade de realizar determinada atividade associada a uma respiração mais ofegante, a recomendação é procurar ajuda médica. “Fique atento aos sinais que o seu corpo dá. Procure o Centro de Triagem que eles farão o encaminhamento correto ao hospital ou ao tratamento em casa. Além disso, o próprio familiar pode ficar atento se a pessoa está falando entrecortado, cansada, e se está começando a respirar rápido. Isso é sinal de que está começando o processo inflamatório e é necessário buscar atendimento. Hoje temos um grupo ativo, que é este grupo de jovens que está trabalhando, e que continua fazendo festas. Isso está realmente enchendo as UTIs e pode provocar a pior onda neste ano de Covid. Use máscara e álcool gel de forma constante, não fique tocando nas coisas, para não levar esse vírus para casa, evite aglomerações, pratique exercícios físicos, se mantenha saudável, são recomendações para todos”, reforça Silva.

“O que mais nos deixa tristes é sairmos dos plantões e vermos os lugares lotados e as pessoas não se cuidando. Covid é uma doença que já matou muita gente, é preciso que todos continuem mantendo os cuidados necessários para evitá-la”, complementa.

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