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Trabalhadores têxteis rejeitam contraproposta patronal e cobram valorização real

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Em assembleias realizadas nesta sexta-feira, 22 de maio, categoria rejeitou de forma unânime proposta que, mesmo no maior percentual apresentado, representaria menos de 1% de ganho real nos salários
Os trabalhadores e trabalhadoras da categoria têxtil de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento deram um recado direto nesta sexta-feira, 22 de maio: a contraproposta patronal apresentada para a negociação salarial 2026/2027 não atende às necessidades da categoria e está distante da valorização reivindicada por quem ajuda a sustentar a força da indústria têxtil da região.

A decisão foi tomada de forma unânime em duas assembleias realizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Assemelhados de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento (Sintrafite), às 9h e às 17h, no auditório Luiz Carlos Groh, na sede da entidade, em Brusque.
Depois de mais de dois meses de análise da pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores em 15 de março, o sindicato patronal apresentou duas possibilidades de reajuste: 4,5% ou 5%. Como o INPC do período fechou em 4,11%, mesmo o maior percentual representaria menos de 1% de ganho real nos salários.
Além disso, a proposta de 5% foi condicionada à alteração da cláusula do prêmio de assiduidade, com possibilidade de ampliação do benefício para até 30%. Para os trabalhadores, a proposta não responde à pauta aprovada pela categoria, que inclui reajuste de 10%, com reposição do INPC e ganho real, valorização dos pisos, redução da jornada semanal para 40 horas e manutenção das cláusulas da atual Convenção Coletiva de Trabalho.

Salário-base precisa ser prioridade
Um dos principais pontos debatidos nas assembleias foi a diferença entre reajuste no salário-base e ampliação de valores pagos por meio de prêmio de assiduidade.

O advogado do Sintrafite, Dr. Márcio Silveira, explicou que o prêmio de assiduidade não representa o mesmo avanço que um reajuste aplicado diretamente sobre o salário-base. Isso porque o prêmio pode ser perdido pelo trabalhador em caso de falta, afastamento por motivo de doença e outras situações previstas na norma coletiva; nem todas as empresas pagam prêmio assiduidade e não há imposição de que todas precisarão pagar. Além disso, o prêmio assiduidade não produz os mesmos reflexos sobre férias, 13º salário, FGTS e futura aposentadoria.

O dirigente sindical Anibal Boettger também chamou atenção para os impactos desse tipo de pagamento. Segundo ele, nas conferências de rescisões realizadas pelo Sintrafite, é possível perceber a diferença entre aquilo que compõe o salário-base e aquilo que entra como prêmio, que fica fora desse cálculo.
A preocupação também apareceu nas manifestações dos trabalhadores. Uma trabalhadora alertou que muitos jovens podem enxergar o prêmio de assiduidade como uma vantagem imediata, sem perceber que esse tipo de pagamento pode ser reduzido, perdido ou não gerar os mesmos reflexos de um reajuste real no salário-base.

A avaliação do sindicato é de que, na contraproposta patronal, parte da valorização ficaria concentrada em mecanismos que não têm o mesmo peso do salário-base na vida profissional do trabalhador. Para a categoria, o ganho precisa estar no salário, no piso e nos direitos que geram reflexos concretos ao longo da carreira.

Escala 6×1 não pode ser usada como justificativa

Durante as assembleias, trabalhadores questionaram se a postura patronal poderia estar relacionada ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário.
A direção do Sintrafite esclareceu que esse argumento não se sustenta na negociação atual. A negociação salarial realizada neste momento trata da reposição das perdas acumuladas entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026, período em que não houve redução da jornada de trabalho nem qualquer impacto concreto relacionado a uma eventual mudança na legislação.

Para o sindicato, uma hipótese futura não pode ser usada para limitar o reajuste dos trabalhadores no presente. Neste momento, a negociação trata da inflação do período, das perdas no poder de compra e da necessidade de ganho real nos salários.

Categoria relata alta no custo de vida
As falas dos trabalhadores durante as assembleias reforçaram a insatisfação da categoria. O presidente do Sintrafite, Altair Stofela, conduziu os trabalhos e abriu espaço para as manifestações.
Um dos trabalhadores afirmou que o setor patronal deveria considerar, no mínimo, o reajuste aplicado ao salário mínimo, que foi de 6,39%. “Estamos servindo como tapete dentro das empresas”, afirmou.
Outro trabalhador destacou que aluguel, alimentação, combustível e despesas básicas seguem em alta, enquanto os salários não acompanham a realidade das famílias.

“Enquanto estamos trabalhando à noite, eles estão dormindo, descansando, e nós estamos lá na fábrica, perdendo a saúde. Precisamos de um aumento digno para cobrir nossas despesas básicas”, relatou.
As manifestações reforçaram o entendimento de que a categoria precisa de valorização real, especialmente diante do crescimento observado em empresas do setor têxtil da região.
Altair Stofela reforçou que o Sintrafite tem levado à mesa de negociação o crescimento observado nas empresas têxteis da região.

“Nas visitas às empresas, a gente nota o crescimento das indústrias têxteis. E nós colocamos isso nas reuniões com o patronal. Questionamos por que essa riqueza não é dividida com os trabalhadores, por meio de bons reajustes”, afirmou o presidente.

Negociação continua
Com a rejeição unânime da contraproposta patronal nas duas assembleias, o Sintrafite seguirá em negociação.

“Para o sindicato, a decisão desta sexta-feira demonstra que a categoria compreendeu a importância de defender aumento real no salário-base, valorização dos pisos e direitos que tenham reflexo direto na vida de cada trabalhador”, complementa o presidente Stofela.

A categoria também aprovou que a próxima assembleia seja realizada em um domingo pela manhã.

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