Encontro reuniu Ministério da Defesa, representantes das três Forças Armadas e lideranças empresariais para apresentar oportunidades, exigências e caminhos para que indústrias da região participem de processos de fornecimento
A força da indústria têxtil de Brusque e região pode abrir uma nova frente de negócios: o fornecimento de produtos para as Forças Armadas. A possibilidade foi debatida na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, durante o evento Economia Azul Catarinense – Eixo Náutico & Defesa, realizado no Centro Empresarial de Brusque.
A programação contou com a palestra “Mercado de Defesa e Segurança: Oportunidades de Negócios para Micro e Pequenas Empresas” e aproximou representantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas de empresários e lideranças do setor produtivo regional.
A reportagem da Rádio Diplomata FM acompanhou o encontro e conversou com o presidente da Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr), Marlon Sassi; com a diretora do SESI/SENAI, Silvana Meneguine, que também representou a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC); com o capitão do Exército Vagner Berbat, coordenador e assessor jurídico do Departamento de Promoção Comercial (DEPCOM), ligado à Secretaria de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa; e com o empresário Edson Rubem Müller, o Pipoca, presidente do Núcleo das Toalhas da ACIBr.
Região pode ampliar participação nas compras das Forças Armadas
Durante o evento, foram apresentadas aos empresários informações sobre os processos de aquisição das Forças Armadas, incluindo especificações dos produtos, requisitos técnicos, documentação, tributação e regras para participação em licitações.
O capitão Vagner Berbat destacou que a escolha de Brusque para essa aproximação está diretamente relacionada à representatividade do polo têxtil e à demanda permanente das Forças Armadas por produtos fabricados pelo setor.
“O polo têxtil de Brusque é muito proeminente e representativo no Brasil. Nós temos uma demanda constante para aquisição de roupas, fardamentos, toalhas e enxovais para os militares das três Forças. Viemos trazer esse desafio para que as empresas participem dos nossos processos licitatórios e forneçam esse material de qualidade”, afirmou.
Segundo Berbat, considerando as três Forças, o efetivo é de aproximadamente 350 mil militares, o que demonstra a dimensão potencial desse mercado.
O capitão também ressaltou o impacto econômico da aquisição de produtos fabricados no país.
“Quando compramos do Brasil e adquirimos o produto nacional, estamos fomentando nossa economia, incentivando a indústria a agregar valor, investir em pesquisa e melhorar seus produtos. Principalmente, estamos gerando empregos e mantendo o recolhimento de impostos no nosso estado e no nosso país.”
Aproximação entre indústria e compradores
Para Silvana Meneguine, diretora do SESI/SENAI e representante da FIESC no encontro, a iniciativa busca justamente aproximar a capacidade produtiva existente na região das necessidades das Forças Armadas.
“Sabemos o quanto a indústria de Brusque é diversificada, pujante e tem potencial para fornecer às Forças Armadas. Essa agenda tem por objetivo fazer essa conexão entre o setor produtivo de Brusque e esses potenciais compradores”, destacou.
A programação não ficou restrita ao encontro desta quinta-feira. Conforme Silvana, a agenda desenvolvida entre quarta e quinta-feira também envolveu reuniões de trabalho e visitas técnicas a empresas, permitindo aos representantes conhecerem de perto a estrutura e os processos produtivos da região.
“As Forças Armadas já compram e consomem bastante de Santa Catarina, mas poderíamos produzir e fornecer ainda mais. Precisamos entender em quais aspectos devemos evoluir para atender aos requisitos e às exigências e, de fato, ampliar a participação da indústria de Brusque como fornecedora”, acrescentou.
ACIBr vê possibilidade de novos investimentos
O presidente da ACIBr, Marlon Sassi, avaliou positivamente a presença dos representantes do setor de Defesa e ressaltou a importância da atuação conjunta entre entidades, empresas e poder público.
“Esse caminhar dos empresários conjuntamente, buscando tecnologia, fazendo visitas técnicas e se atualizando, traz qualificação para que as nossas Forças possam utilizar nossos materiais sabendo que receberão produtos com qualidade. Nossa região é um exemplo de qualidade em tudo o que faz”, afirmou.
Sassi também citou a possibilidade de ampliar o retorno econômico para a região por meio do fornecimento de produtos locais.
“Coloquei para eles que hoje o nosso retorno de impostos federais gira em torno de 11%. Talvez possamos buscar uma compensação também com as Forças adquirindo produtos da nossa região. Foi um encontro muito produtivo e esperamos avançar ainda mais.”
O encontro contou ainda com a participação da Prefeitura de Brusque, Sebrae, FIESC e do Núcleo das Toalhas da ACIBr.
Núcleo das Toalhas vê oportunidade para grandes negócios
Para o empresário Edson Rubem Müller, o Pipoca, vice-presidente territorial de da ACIBr em Botuverá, a presença conjunta de representantes das três Forças Armadas em uma região fortemente ligada à indústria têxtil representa um momento importante para o setor.
“É um fato inédito reunir as três Forças Armadas em uma região tão produtiva na indústria têxtil. É fundamental apresentarmos nossas indústrias, nosso trabalho, os processos industriais e todo o potencial que temos aqui”, afirmou.
Na avaliação do empresário, a aproximação iniciada agora poderá gerar resultados comerciais no futuro.
“Vejo com bons olhos esse momento, que pode se transformar em grandes negócios. Este pode ser o pontapé inicial para que, daqui a algum tempo, nossa região possa se tornar uma grande fornecedora das Forças Armadas.”
Mercado de Defesa vai além de armamentos
Um dos aspectos importantes apresentados durante a programação é que o mercado de Defesa não está restrito à fabricação de armas ou equipamentos militares.
A legislação brasileira contempla uma ampla gama de Produtos de Defesa (PRODE), incluindo fardamentos e materiais de uso individual e coletivo, o que cria oportunidades para diferentes segmentos da indústria nacional.
Para uma região reconhecida pela produção de tecidos, confecções, toalhas e diferentes artigos têxteis, a demanda por uniformes, enxovais, toalhas e outros produtos utilizados pelas Forças Armadas pode representar uma possibilidade concreta de diversificação de clientes.
Ao mesmo tempo, ingressar nesse mercado exige preparação. Dependendo do produto e do processo de contratação, as empresas precisam observar especificações técnicas, documentação, certificações e regras próprias das compras públicas e do setor de Defesa.
O Ministério da Defesa mantém ainda o Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED), utilizado nos processos relacionados ao credenciamento de Empresas de Defesa (ED), Empresas Estratégicas de Defesa (EED) e à classificação de Produtos de Defesa e Produtos Estratégicos de Defesa.
Potencial industrial colocado à mesa
Mais do que apresentar uma oportunidade imediata de venda, o encontro realizado em Brusque teve como principal resultado aproximar dois lados: quem possui demanda constante por produtos e quem possui capacidade industrial para fabricá-los.
De um lado, as Forças Armadas apresentaram suas necessidades, regras e exigências. Do outro, empresários puderam mostrar a estrutura, a tecnologia e a experiência acumulada por um dos principais polos têxteis do país.
A partir dessa aproximação, a expectativa das entidades envolvidas é transformar conhecimento e capacidade produtiva em participação efetiva nos processos de fornecimento.
Para Brusque e região, o encontro desta quinta-feira pode representar justamente o início dessa caminhada: fazer com que produtos fabricados no polo têxtil local encontrem também nas Forças Armadas brasileiras um novo e importante mercado consumidor.

