Com investimento de R$ 162,8 milhões a obra busca reduzir os impactos das cheias do Itajaí-Mirim
A construção da Barragem de Botuverá avançou para uma nova etapa com a assinatura da ordem de serviço pelo governador Jorginho Mello e pelo secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Fabiano de Souza, na tarde desta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, em Brusque. O investimento previsto é de R$ 162,8 milhões, incluindo a execução da estrutura, a supervisão dos trabalhos e o Plano Básico Ambiental.
Projetada para reduzir os picos de cheia do Rio Itajaí-Mirim, a barragem deverá beneficiar Botuverá, Brusque e Itajaí, municípios que, juntos, reúnem mais de 450 mil moradores. A estrutura será instalada na região do bairro Barra da Areia, em Botuverá, e integra o Plano Estadual de Prevenção às Enchentes.

A cerimônia ocorreu no Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque (Cescb), com a participação de autoridades estaduais, representantes de entidades e lideranças municipais. Entre os presentes estavam o prefeito de Brusque, André Vechi, o prefeito de Guabiruba, Valmir Zirke, e o vice-prefeito de Botuverá, Kaioran Paloschi Paulini.

Botuverá cobra reforço nos serviços públicos
A autorização da obra ocorre enquanto Botuverá mantém a discussão sobre investimentos para preparar o município para os impactos da construção.
Antes da chegada do governador, Kaioran destacou a necessidade de reforçar a estrutura de saúde e educação, incluindo Unidades Básicas de Saúde, escolas e creches. A preocupação é com o aumento da demanda por serviços públicos diante da chegada de trabalhadores e famílias durante a execução do empreendimento.
Jorginho afirmou que o Estado dará suporte ao município e que as negociações continuarão. Segundo a cobertura do Portal da Cidade Brusque, ainda não foram definidas quais intervenções adicionais serão realizadas nem os valores destinados às contrapartidas.

Em outubro de 2025, o prefeito Victor Wietcowsky encaminhou à Defesa Civil estadual um pedido de aproximadamente R$ 70 milhões em compensações. As solicitações incluíam um posto de saúde no bairro Ribeirão do Ouro e estruturas de atendimento policial e do Corpo de Bombeiros.
A administração municipal também apresentou preocupações com os acessos à comunidade de Barra da Areia e os efeitos da obra sobre moradores e proprietários de terrenos.
Estrutura poderá reter 20,2 bilhões de litros
Conforme os dados mais recentes divulgados sobre o empreendimento, a barragem terá 40,8 metros de altura física, 124 metros de extensão na parte superior e capacidade de armazenamento de 20,2 milhões de metros cúbicos de água — equivalentes a 20,2 bilhões de litros.
O projeto prevê duas comportas, cada uma com capacidade para liberar até 250 metros cúbicos de água por segundo. O sistema permitirá regular a passagem da água e diminuir os picos de vazão nos municípios localizados rio abaixo.
Durante chuvas intensas, a estrutura deverá reter temporariamente parte do volume que seguiria pelo Itajaí-Mirim. A liberação será controlada para reduzir a concentração de água que chega aos municípios em um mesmo período.
A barragem, porém, não eliminará completamente o risco de enchentes. O resultado dependerá das características de cada evento, como intensidade e duração das chuvas, espaço disponível no reservatório e contribuição dos demais rios e córregos da bacia.

Cronograma prevê projetos e execução
A responsabilidade pela construção será do Consórcio Construtor Botuverá, formado pelas empresas Araxá Engenharia e Ivaí Engenharia de Obras.
O cronograma divulgado prevê 28 meses, divididos entre quatro meses para elaboração e revisão do projeto e outros 24 meses para os trabalhos de engenharia.
Segundo o governo estadual, será a primeira barragem de contenção de cheias construída diretamente pelo Estado. Durante a cerimônia, Jorginho ressaltou que as outras estruturas desse tipo em Santa Catarina foram originalmente executadas pelo governo federal.
Licitação passou por suspensão e ajustes
A assinatura ocorre após um período de entraves administrativos. Em 2025, o edital foi suspenso depois de apontamentos da Diretoria de Licitações e Contratações do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC).
Em janeiro de 2026, representantes do Estado e auditores discutiram correções. Com as alterações, a suspensão foi revogada e a licitação pôde prosseguir. Segundo o tribunal, os ajustes reduziram o valor estimado da contratação em aproximadamente R$ 6,65 milhões.
O processo teve propostas da Planaterra, de R$ 137,9 milhões; da Cava Engenharia, de R$ 140 milhões; e da Araxá Engenharia, de R$ 152,8 milhões. Posteriormente, a Araxá passou a integrar o consórcio responsável pela execução.
Obra será integrada às ações de prevenção
O secretário Fabiano de Souza destacou que a barragem deverá funcionar em conjunto com o monitoramento meteorológico e hidrológico, a emissão de alertas e a preparação dos municípios para situações de emergência.
A proposta é ampliar a capacidade de controle das vazões do Itajaí-Mirim e reduzir os prejuízos das cheias na região, mantendo as demais ações de prevenção e resposta da Defesa Civil.
Acompanhe as entrevista em áudio, acompanhada por nossa equeipe e repercutida no Jornal da Diplomata de sexta-feira, 23 de outubro de 2026.
