O megaempresário e um dos maiores produtores de algodão do mundo projeta complexo industrial e de compras na Baixada Cuiabana focado na geração de milhares de empregos.
BRUSQUE (SC) – O estado de Mato Grosso, reconhecido globalmente como a “capital mundial do algodão”, quer deixar de ser apenas um fornecedor de matéria-prima bruta para se transformar em um gigante da confecção têxtil. Para transformar esse plano em realidade, uma comitiva liderada pelo empresário Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro, veio a Santa Catarina buscar inspiração no modelo de sucesso do Vale do Itajaí.
Em visita à FIP (Feira da Moda), Eraí Maggi foi recebido pelo empresário Cisso Crespi, administrador do complexo de compras. O objetivo da visita foi estudar minuciosamente o ecossistema que une fábricas, varejo, turismo e entretenimento em Santa Catarina para replicá-lo nas proximidades de Cuiabá.

O Modelo FIP como Referência Nacional
Durante entrevista à Rádio Diplomata FM, Eraí não poupou elogios à estrutura catarinense, classificando a FIP como “uma coisa de outro mundo” e a principal referência nacional para o que planeja implantar em solo mato-grossense.
“Santa Catarina é o maior. É o mais forte e o que mais nós podemos aprender para aproveitar o nosso algodão. Nós temos que não só vender o algodão; temos que vender camiseta, camisa, confecção. A FIP é uma grande referência, o que vimos de mais próximo do que a gente pensa em acoplar no Parque Novo Mato Grosso”, destacou Eraí Maggi.
O empresário Cisso Crespi relembrou com entusiasmo o início das tratativas, que começaram após uma ligação surpresa do produtor do Grupo Bom Futuro no ano anterior. Crespi inclusive viajou a Mato Grosso a convite de Eraí para prestar consultoria e compartilhar a sabedoria de uma família com mais de 30 anos de atuação no varejo de moda sulista.
Projeto de 10 anos e Foco na Geração de Empregos
O plano de criar um polo têxtil na Baixada Cuiabana possui visão de longo prazo — estimado para se consolidar ao longo dos próximos 10 anos. A meta prioritária do investimento é o impacto socioeconômico: geração massiva de emprego e renda.
A localização estratégica visa atender a uma população regional de mais de 1 milhão de habitantes (abrangendo Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e arredores), além de atrair caravanas de compradores e turistas de estados vizinhos como Rondônia, Pará, toda a região da Amazônia e até da Bolívia.

Alinhamento Político e Atratividade Turística
O projeto conta com forte apoio político. Segundo Maggi, o atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, já visitou pessoalmente as instalações da FIP em Brusque no final do ano passado.
A ligação da elite empresarial mato-grossense com Santa Catarina já é estreita. Eraí revelou que, no último período de festas, cerca de 120 empresários do Mato Grosso se reuniram em Balneário Camboriú e Itapema — cidades litorâneas onde muitos possuem imóvel — e aproveitaram a proximidade para ir até Brusque estudar a engrenagem econômica do turismo de compras da FIP.
Com a união entre a maior produção de algodão do planeta e o know-how fabril e comercial catarinense, o Mato Grosso se prepara para dar um salto histórico na industrialização de sua produção agrícola.
