Os trabalhadores e trabalhadoras metalúrgicos de Brusque e Guabiruba aprovaram neste sábado, 23 de maio, a contraproposta patronal da negociação coletiva 2026/2027. A decisão ocorreu em duas assembleias realizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos (Sintimmmeb), no auditório da entidade, em Brusque, e na Sede Recreativa, em Guabiruba.
A proposta aprovada prevê reajuste de 5% nas cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Com isso, o piso salarial passa para R$ 2.331,00, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) fica em R$ 378,00 e a assistência social, referente ao plano de saúde da categoria, passa para R$ 245,45. O reajuste representa 0,89% de ganho real, considerando o INPC acumulado de 4,11%. Também foi garantida a renovação das demais cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Segundo o presidente do Sintimmmeb, Eduardo de Souza, a negociação deste ano foi marcada por dificuldades e falta de avanço nas rodadas realizadas entre sindicato patronal e sindicato dos trabalhadores.
“As negociações este ano foram atípicas em relação aos anos anteriores. Tivemos diversas reuniões e a negociação não avançava. A última proposta chegou apenas na sexta-feira, às 17h, e foi essa contraproposta que trouxemos para os trabalhadores deliberarem nas assembleias”, afirmou.
Eduardo reconheceu que o resultado ficou abaixo daquilo que a categoria reivindicava e do que o sindicato considera justo para os metalúrgicos da região.
“Os trabalhadores saíram satisfeitos da negociação? Não. A comissão de negociação saiu satisfeita? Não. Não foi uma boa negociação e não foi um bom reajuste salarial. Mas conseguimos manter todas as cláusulas da Convenção Coletiva”, declarou.
“Estamos deixando passar uma grande oportunidade”
Durante as assembleias, a direção do Sintimmmeb também chamou atenção para o momento econômico vivido por Santa Catarina e pela região. Para Eduardo, a categoria poderia ter conquistado avanços maiores em um cenário de crescimento econômico e falta de mão de obra.
“O Brasil cresce, Santa Catarina cresce e a nossa região cresce. Estamos num estado que cresce mais do que qualquer outro do país e enfrentamos falta de mão de obra. Era o momento de avançar mais nos salários e nas cláusulas da convenção. Estamos deixando passar uma grande oportunidade de valorização dos trabalhadores”, pontuou.

O presidente também destacou que a baixa participação nas assembleias acabou reduzindo a força da categoria na mesa de negociação.
“Os trabalhadores que compareceram demonstraram compromisso com a categoria e aprovaram a proposta. Mas não tivemos adesão suficiente para ter mais força na negociação com o sindicato patronal. O trabalhador que não participa também deixa de fortalecer a luta coletiva e a busca por uma valorização maior”, afirmou.
Para o Sintimmmeb, a assembleia segue sendo o principal espaço de decisão e mobilização da categoria. É nela que os trabalhadores analisam propostas, definem os rumos da negociação e fortalecem o poder de pressão do sindicato diante do setor patronal.
Debate sobre redução da jornada entrou nas assembleias
Outro tema debatido durante as assembleias foi a discussão nacional sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Segundo o sindicato, o assunto foi citado pelo setor patronal durante as negociações como preocupação em relação a possíveis impactos futuros nas empresas.
Para o Sintimmmeb, porém, a discussão não deveria interferir na negociação coletiva deste ano, já que a redução da jornada ainda não foi aprovada e não fazia parte do objeto central da campanha salarial da categoria.
Eduardo também reforçou a importância de os trabalhadores acompanharem o posicionamento de deputados e senadores sobre o tema.
“Tem trabalhador que diz ser contra porque ganha por hora, mas a proposta é redução da jornada sem redução do salário. Isso valoriza a hora trabalhada. O nosso salário é o tempo da nossa vida que vendemos ao patrão”, afirmou.
Segundo o presidente do sindicato, a redução da jornada representa ganho de qualidade de vida, saúde, descanso e convivência familiar para os trabalhadores.

Mensalidade sindical também foi aprovada
Durante as assembleias, os trabalhadores também aprovaram reajuste de 5% na mensalidade sindical. O valor passa de R$ 59,40 para R$ 62,37, aumento de R$ 2,97.
A direção do Sintimmmeb destacou que os recursos retornam para a própria categoria por meio dos benefícios, serviços, estrutura de atendimento, Centro Médico, assistência sindical e atuação direta nas fábricas.
Sindicato segue firme na defesa da categoria
O Sintimmmeb afirma que seguirá atuando diretamente nas empresas por meio dos acordos coletivos e das negociações específicas dentro das fábricas.
“A partir de segunda-feira estaremos novamente nas fábricas, com o mesmo ímpeto, negociando acordos coletivos, jornadas, trocas de feriado e outras demandas dos trabalhadores. O sindicato continua presente no chão de fábrica e seguirá trabalhando pela categoria”, ressaltou Eduardo.
O que foi conquistado na mesa de negociação
- Piso salarial de R$ 2.331,00;
- PLR de R$ 378,00;
- Assistência social (plano de saúde) reajustada para R$ 245,45;
- Reajuste geral de 5% para salários acima do piso, com ganho real de 0,89%;
- Manutenção integral das cláusulas sociais e econômicas da Convenção Coletiva, incluindo auxílio medicamento, plano de saúde para dependentes e dispensa do aviso prévio mediante comprovação de novo emprego.
