Projeto recebeu cinco votos favoráveis e três abstenções; presidente da Câmara afirma ter sido surpreendido com mudança de posicionamento de colegas após reuniões de alinhamento com representantes do Executivo
A Câmara de Vereadores de Guabiruba aprovou, na noite desta terça-feira, 7 de julho de 2026, em primeira votação, o Projeto de Lei Ordinária nº 21/2026, de autoria do Poder Executivo, que autoriza a abertura de crédito especial e suplementar de R$ 5 milhões para o orçamento da Secretaria Municipal de Saúde.
Acompanhe a cobertura de entrevistas do Jornal da Diplomata.

A proposta foi aprovada por cinco votos favoráveis e três abstenções, resultado que marcou a sessão ordinária em razão dos questionamentos levantados por parte dos parlamentares sobre a destinação dos recursos e também pela manifestação do presidente da Casa, vereador Alexandre Felipe Pereira (PP), que disse ter sido surpreendido pela postura adotada por três colegas durante a votação.
Projeto já havia sido retirado do regime de urgência
Na sessão anterior, o Executivo encaminhou o projeto com pedido de tramitação em regime de urgência. Entretanto, os vereadores optaram por não apreciar a matéria naquele momento, encaminhando-a para análise das comissões permanentes da Câmara.
Durante esse período, foram solicitados esclarecimentos ao Executivo sobre a necessidade da suplementação de R$ 5 milhões e a aplicação dos recursos.
Conforme debatido durante a sessão, representantes da Administração Municipal participaram de diversas reuniões realizadas nos dias que antecederam a votação, apresentando dados técnicos e prestando esclarecimentos aos vereadores sobre o projeto.

Três vereadores mantiveram dúvidas e optaram pela abstenção
Mesmo após as explicações apresentadas pelo Executivo, os vereadores Alfred Nagel Neto (MDB), Eduarda Schweiger (MDB) e Justavo Barroso (Podemos) afirmaram que permaneceram com dúvidas e decidiram se abster da votação.
O vereador Alfred Nagel Neto foi o primeiro a abordar o tema na tribuna. Segundo ele, os esclarecimentos apresentados ainda não foram suficientes para justificar uma suplementação de valor tão elevado.
Na sequência, a vereadora Eduarda Schweiger também justificou sua decisão.
Segundo a parlamentar, o principal questionamento está relacionado ao fato de parte da justificativa do Executivo envolver a compra de medicamentos que, em sua avaliação, normalmente são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O fato de a suplementação ser em um valor tão alto e ter como justificativa, principalmente, a compra de medicamentos que o SUS fornece me causa estranheza. Por isso decidi me abster nesta primeira votação”, afirmou.
O vereador Justavo Barroso acompanhou o posicionamento dos colegas.
Segundo ele, ainda havia dúvidas em relação às informações apresentadas.
“É impossível ser favorável a um projeto que chega com tantas dúvidas e falta de esclarecimento, principalmente diante dos dados apresentados aqui na tribuna pela vereadora Eduarda. Por isso também me abstenho nesta votação”, declarou.
Presidente afirma que esperava aprovação unânime
Ao comentar o resultado da votação, o presidente da Câmara, vereador Alexandre Felipe Pereira, afirmou que ficou surpreso com as três abstenções.
Segundo ele, nos dias que antecederam a sessão foram realizadas diversas reuniões entre vereadores e representantes do Poder Executivo, ocasião em que os questionamentos levantados pelos parlamentares teriam sido respondidos.
Alexandre afirmou que, diante dessas conversas, acreditava que a proposta seria aprovada de forma unânime.
“As explicações e os números apresentados pelo Executivo foram esclarecedores. Tivemos diversas reuniões antes desta sessão, com representantes do Executivo, e os colegas demonstraram estar satisfeitos com os esclarecimentos. O fato de optarem pela abstenção me causou surpresa, mas respeito o posicionamento de cada vereador”, declarou.
Projeto segue para segunda votação
Com o placar de cinco votos favoráveis e três abstenções, o Projeto de Lei Ordinária nº 21/2026 foi aprovado em primeira votação e agora retorna à pauta para segunda discussão e votação.
Se novamente aprovado pelo plenário, o projeto seguirá para sanção do prefeito, autorizando a suplementação de R$ 5 milhões no orçamento da Saúde de Guabiruba.
A votação evidenciou divergências sobre a necessidade e a justificativa da suplementação, mas também expôs um impasse político dentro do Legislativo, após a mudança de posicionamento de parte dos vereadores que, segundo o presidente da Câmara, haviam demonstrado concordância com o projeto durante as reuniões realizadas com representantes do Executivo.
Ouça as entrevistas completas repercutidas, no Jornal da Diplomata desta, quarta-feira, 08 de julho de 2026.

