A dupla, Diogo Pinheiro, de Brusque, e Vitor da Silva, de Joinville, praticantes do esporte de aventura, acompanhados do guia e montanhista profissional, Álvaro Walendowsky, concluíram com sucesso, no último fim de semana, a ascensão ao Pico Paraná, a montanha mais alta da Região Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude. Álvaro, já experiente no percurso, concluiu a operação pela 15ª vez.
Localizado na Serra do Ibitiraquire, no Paraná, o Pico Paraná é formado por rochas de granito e gnaisse e é considerado um dos maiores desafios do montanhismo brasileiro. Além da beleza natural, a montanha possui grande importância histórica. Ela foi explorada pelo pesquisador alemão Reinhard Maack, que entre 1940 e 1941 realizou estudos sobre a fauna e a geomorfologia da região. A primeira conquista do cume ocorreu em 13 de julho de 1941, pelos alpinistas Rudolf Stamm e Alfred Mysing, integrantes da expedição liderada por Maack.
A altitude oficial da montanha foi definida em 1.877 metros após nova medição realizada em 1992 por equipes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), utilizando o Sistema de Posicionamento Global (GPS), valor que permanece adotado até hoje.

A conquista representa mais um importante desafio superado pelos montanhistas, que enfrentaram trilhas íngremes, trechos técnicos e o relevo característico da Serra do Ibitiraquire para alcançar um dos cumes mais emblemáticos do país. A conquista do Pico Paraná ganha ainda mais relevância em um momento histórico para o montanhismo nacional. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oficializou um novo sistema de classificação do relevo brasileiro, reconhecendo formalmente que o Brasil possui montanhas distribuídas por pelo menos 14 estados.
A atualização faz parte do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR), desenvolvido pelo IBGE em parceria com o Serviço Geológico do Brasil, universidades e outras instituições científicas. O novo modelo estabelece que montanhas são formas de relevo com desnível topográfico superior a 300 metros, considerando características como declividade, formato do topo e diferença de altitude em relação ao terreno ao redor, e não apenas sua origem geológica.

Com isso, formações tradicionais do montanhismo brasileiro, como o Pico Paraná, tiveram sua classificação reforçada. Já outras referências conhecidas passaram por reclassificação. O Monte Roraima, por exemplo, passa a ser considerado um planalto devido ao seu topo plano, enquanto o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, foi enquadrado como um inselberg, formação rochosa isolada que se destaca abruptamente da paisagem.
A nova classificação representa um importante reconhecimento científico do patrimônio natural brasileiro e fortalece o montanhismo como atividade esportiva, turística e de preservação ambiental.
